Na trincheira

Candidato à Presidência derrotado por Lula em 2002 e por Dilma em 2010, o (ainda) tucano José Serra tem seu destino político como uma questão em aberto: tanto pode ser candidato outra vez como pode se posicionar em 2014 como cabo eleitoral qualificado do campo oposicionista.

DORA KRAMER, O Estado de S.Paulo

12 Junho 2013 | 02h09

Na primeira hipótese teria de sair do PSDB, inteiramente fechado com a candidatura do senador Aécio Neves. Na segunda, pode ficar se tiver espaço para atuar ou optar por outro partido (provavelmente o MD de Roberto Freire) que lhe dê melhores condições de usar seu capital político para ajudar na tentativa de tirar o PT do poder.

Serra escolherá o papel mais eficaz ao combate do adversário principal. No discurso que fez na convenção que elegeu Aécio presidente do PSDB, em maio, ele havia dado esse recado de maneira implícita.

Avisou que em suas decisões sempre põe a razão à frente da paixão. Anunciou também que em 2014 continuaria a atuar "em favor da unidade das oposições e de quantos entendam que é chegada a hora de dar um basta à incompetência orgulhosa" dos petistas.

Na ocasião a referência à racionalidade foi vista como uma sinalização de que não se deixaria levar pelo passivo de mágoas internas herdadas de campanhas anteriores em que não contou com lealdade do partido de modo absoluto.

A afirmação sobre a disposição de atuar "em favor da unidade das oposições" equivaleria, segundo vários autores, a dizer que estaria ao lado de Aécio.

Como naquele mesmo discurso José Serra disse que não tem porta-vozes nem intérpretes e sobre seus pensamentos só há uma fonte confiável, "eu mesmo", vamos a ele.

A respeito da razão sobreposta à paixão, diz que a decisão mais racional pode ser ficar no PSDB ou decidir sair para postular a Presidência no intuito de "diversificar candidaturas" e levar a eleição para um segundo turno.

No tocante ao trecho em que se dispõe a lutar "em favor da unidade das oposições", pondera: "Estar do mesmo lado não significa ficar no mesmo lugar".

Ambíguo, pois não? Pois é. Assim José Serra ficará até o fim de setembro, quando se esgota o prazo de filiação partidária aos candidatos no próximo ano. Isso se decidir mudar de partido. Se não for o caso, estenderá por mais algum tempo sua tomada de posição.

Dela depende o rumo da candidatura Eduardo Campos, o desempenho de Marina Silva, o desenrolar do governo e, por que não dizer, a convivência dentro do PSDB.

Enquanto isso, examina atentamente as pesquisas. Oficiais e não oficiais. Em uma dessas não registradas e feitas por telefone foi incluído seu nome em várias situações. Dois tipos de resposta o agradaram em especial.

Uma aponta que 55% dos entrevistados consideram que seria um bom presidente. Outra informa que 58% discordam parcial ou completamente da seguinte afirmação: "Candidato a presidente derrotado duas vezes, o tempo de José Serra já passou".

Marcha lenta. Há quem tenha interpretado como fruto de torcida a declaração do ministro José Antonio Dias Toffoli em entrevista à Folha de S. Paulo, prevendo que as sentenças aos condenados do mensalão levarão de um a dois anos ainda para serem executadas.

Toffoli tem ligações estreitas e conhecidas com o PT, no primeiro governo Lula foi subordinado a José Dirceu, a quem absolveu no julgamento, mas faz uma avaliação realista. O mesmo já havia sido dito pelo procurador-geral, Roberto Gurgel, para justificar o pedido de prisão imediata dos condenados.

Fora isso, há o caso do deputado Natan Donadon: condenado pelo Supremo em 2010, está até hoje em liberdade - e no exercício de mandato federal - devido aos embargos.

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