Reprodução/Divulgação
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Na Suíça, Maluf vira garoto-propaganda de campanha mundial contra corrupção

Político, considerado ficha-suja pelo TRE, foi escolhido pela Transparência Internacional como uma das 'estrelas' de sua luta

Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

02 Setembro 2014 | 14h28

Atualizada às 22h10

GENEBRA - Principal nome a aparecer nas propagandas eleitorais do PP paulista, o deputado e ex-prefeito paulistano Paulo Maluf está prestes a se tornar garoto-propaganda em nível internacional. O político, que na segunda-feira foi considerado ficha-suja pelo Tribunal Regional Eleitoral, foi escolhido pela Transparência Internacional como uma das "estrelas" de uma campanha mundial contra a corrupção, lançada nesta terça-feira, em Berna, na Suíça. O caso do deputado é usado como exemplo de como as leis de combate a desvios de recursos públicos precisam ser modificadas para combater o problema. 

A campanha "Desmascarar a Corrupção" foi lançada como uma forma de pressionar o governo da Suíça a modificar suas leis em relação à proteção do sigilo bancário. Instituições financeiras em Genebra ou Zurique são usadas por políticos de todo o mundo para esconder dinheiro de origem ilícita.


Maluf é chamado na campanha de "Mr. Kickback", ou "Sr. Propinas". "Longe dos contribuintes que o elegeram, Maluf comprou relógios de luxo e jóias em casas de apostas em Nova York", diz a campanha. 

"Não existem muitas pessoas que podem dizer que existe um verbo criado a partir de seu nome. Mas Paulo Maluf pode", indica. Segundo a Transparência, "Malufar" significa "roubar dinheiro público". 

Propina. Segundo a entidade, o deputado teria recebido US$ 344 milhões em propinas em quatro anos como prefeito de São Paulo. A ONG aponta que Maluf conseguiu desviar o dinheiro graças a paraísos fiscais que permitiram que ele mantivesse contas sem revelar seu nome. O ex-prefeito nega as acusações e, durante anos, disse que não tinha contas no exterior.

Jersey, ilha britânica onde empresas ligadas a Maluf mantinham recursos, acabou condenando o deputado brasileiro. A Interpol tem um mandado de prisão internacional contra Maluf. "Apesar de sua notoriedade, Maluf não está na prisão. Na realidade, ele é membro do Congresso. Se ele corre o risco de ser preso se sair de seu país, no Brasil ele está livre", aponta a campanha. "E apesar de se transformar em gíria em português, Maluf continua a negar qualquer crime". 

A campanha coincide com o inicio dos debates sobre a modificação das leis no Parlamento suíço. 

"Hoje, a Suíça não exige a identidade da pessoa real que controla ou possui uma empresa", alertou a entidade. 

"A Suíça precisam ampliar o escopo de sua lei anti-lavagem de dinheiro para prevenir que os corruptos escondam seu dinheiro do crime e da corrupção em seu território", disse Eric Martin, chefe da Transparência Internacional na Suíça. 

Esforços. A entidade pede que o governo local faça esforços para "desmascarar os corruptos" e permitir a adoção de leis para identificar os donos de empresas e de contas nos bancos do país.

A ONG se prepara para desembarcar no Brasil e, nos últimos anos, tem se transformado em uma referência mundial no combate à corrupção. 

Além de Maluf, a campanha traz como exemplos o ex-ditador da Tunísia  Zine al-Abidine Ben Ali e um homem de negócios da Nigéria.  

Resposta. Após a veiculação na tarde desta terça da notícia no portal do Estado, a assessoria de imprensa de Maluf a classificou como “inoportuna e mentirosa”. Segundo a nota, “quando Maluf foi nomeado prefeito de São Paulo, em 1969, o jornal O Estado de São Paulo publicou a declaração de bens do ex-prefeito, que é exatamente a mesma dos dias de hoje”. E prossegue: “Maluf sempre morou na mesma casa e não enriqueceu na vida pública. Sua declaração de renda, que é publica (sic), mostra que ele tem menos bens nos dias de hoje do que naquele tempo”.

A assessoria ainda apregoa que o deputado “fez uma administração transparente nos cargos que ocupou e suas obras aí estão, beneficiando a cidade e o Estado de São Paulo. Além disso, suas contas sempre foram aprovadas pelos tribunais de conta do Estado e do Município.”

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