Nacho Doce/Reuters
Nacho Doce/Reuters

Na semana decisiva das eleições, militantes vão às ruas

Tucanos e petistas intensificam os atos em São Paulo, onde Aécio levou vantagem sobre Dilma

Isadora Peron e Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2014 | 03h00

De olho nos eleitores do maior colégio eleitoral do País, tucanos e petistas intensificaram o número de atos de rua em São Paulo nesta última semana de campanha. Enquanto os aliados de Aécio Neves (PSDB) trabalham para ampliar a vantagem que o candidato teve sobre a presidente Dilma Rousseff (PT), os petistas tentam se recuperar de uma derrota histórica no Estado para obter, pelo menos, um índice de votação parecido com o que a sigla registrou em outros pleitos.

No 1.º turno, Aécio ficou com 44,2% dos votos válidos em São Paulo, Dilma com 25,8% e a candidata do PSB, Marina Silva, com 25,1%. Na eleição de 2010, a petista havia obtido 37,3% dos votos.

Na avaliação de dirigentes do partido, Dilma foi prejudicada pela candidatura de Marina, que conseguiu votações expressivas em redutos tradicionalmente petistas, como a periferia da capital e cidades da região metropolitana, especialmente em São Bernardo do Campo, Osasco e Guarulhos.

Diante dessa realidade, a legenda armou uma estratégia para reconquistar o voto nessas regiões, que consistiu em apostar numa campanha à moda antiga, focada no corpo a corpo e no convencimento dos eleitores.

Militantes da sigla foram orientados a ir para as ruas com um discurso afinado em defesa dos 12 anos de governo do PT. “A gente não pediu para ninguém mentir, só comparar a nossa gestão com os oito anos de governo tucano (do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso)”, disse o secretário de Comunicação do PT-SP, Aparecido Soares de Lima, o Cidão.

Na quarta-feira, o Estado acompanhou três militantes petistas em campanha por Heliópolis, na zona sul, um dos bairros mais pobres da capital paulista. Munidos de bandeiras, adesivos e panfletos, eles fizeram uma caminhada de cerca de duas horas, cantando jingles e perguntando às pessoas em quem elas iriam votar. Quando se deparavam com um eleitor tucano, desfiavam um rosário de como o País avançou nos últimos anos.

Raimundo Bonfim, que coordena a Central de Movimentos Populares da sigla, tem esse discurso na ponta da língua. Segundo ele, é preciso mostrar que o governo federal teve um papel importante na melhoria da vida das pessoas. O militante cita como exemplo o baixo índice de desemprego e programas que viraram vitrines da gestão petista, como o ProUni, que facilita o acesso das pessoas mais pobres ao ensino superior. “Aqui, em Heliópolis, hoje tem um monte de gente que é analfabeta, mas que tem todos os filhos na universidade”, afirmou.

Bonfim admite, porém, que essa tem sido a disputa mais dura para o PT desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou ao poder, em 2002, e acredita que boa parte dessa dificuldade se deve às denúncias de corrupção que atingiram o partido nos últimos anos (veja matéria abaixo). Lula, por sua vez, teve participação mais intensa, em São Paulo, na campanha do 1º turno.

Apesar do tema corrupção, dirigentes do PT avaliam que, diante do cenário de polarização do 2.º turno e da real chance de o PSDB voltar à Presidência, muitos petistas “desgostosos” com o partido voltaram a fazer campanha no Estado. Um exemplo seria o ato realizado na noite da última segunda-feira, na PUC. No teatro da universidade, artistas e intelectuais declararam apoio a Dilma e, do lado de fora, cerca de 3 mil pessoas fizeram questão de acompanhar o evento sob uma garoa.

Manifestações. Para garantir a vantagem de Aécio no Estado, o PSDB também investiu em agenda de forte apelo popular nesta última semana. A estratégia foi promover atos inspirados na onda de protestos de junho de 2013. A aposta é vincular o candidato à ideia de mudança expressa pelos manifestantes, como o tucano já vem fazendo em seus programas de TV.

Na segunda-feira, aliados de Aécio se concentraram na Avenida Paulista. Na quarta-feira, o local escolhido foi o Largo da Batata, em Pinheiros, na zona oeste, que em 2013 foi o palco de uma das maiores manifestações da série junina. 

Como Aécio passou o dia em campanha em Minas, seu Estado natal, coube ao ex-presidente Fernando Henrique e o senador eleito José Serra representá-lo no evento. De cima de um carro de som, Serra puxou o coro de “Adeus, PT”, que foi rapidamente ecoado pelas mais de 10 mil de pessoas que se reuniram no local.

FHC também se pronunciou: “Não dá mais para seguir com a incompetência, vamos vencer. Em São Paulo, temos a obrigação de eleger Aécio Neves presidente.” Além dos tucanos, o ex-jogador de futebol Ronaldo engrossou o time ao subir no carro de som e bradar por mudança.

Apesar de não ter comparecido ao ato de quarta-feira, o governador Geraldo Alckmin também tem realizado agendas de campanha para o candidato tucano aos finais de semana. No domingo, por exemplo, ele foi a São Bernardo do Campo, na região metropolitana, para fazer uma caminhada.

Segundo o presidente do PSDB paulista, deputado Duarte Nogueira, somente na capital paulista cerca de 600 pessoas do partido foram recrutadas e estão sendo pagas pelo comitê financeiro da campanha de Aécio para fazer a panfletagem nas ruas.

O estafe do presidenciável também foi reforçado pela estrutura de campanha de Alckmin, que foi reeleito no 1.º turno. Cerca de 50 pessoas que trabalharam para a campanha do governador foram realocados para o comitê de Aécio. / COLABOROU ANA FERNANDES

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