André Dusek/AE - 23.01.2012
André Dusek/AE - 23.01.2012

Na saída de Haddad, Dilma lança 'vacina eleitoral' para Enem

Em evento que marcou a despedida do ministro da Educação para disputar Prefeitura de SP, presidente cria discurso de defesa do controverso exame

Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura, de O Estado de S.Paulo

24 de janeiro de 2012 | 03h08

BRASÍLIA - Para tentar imunizar o candidato petista à Prefeitura de São Paulo de críticas durante a campanha eleitoral, a presidente Dilma Rousseff usou cerimônia ontem no Planalto para elogiar o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) e, com isso, procurar blindar Fernando Haddad, que deixa nesta terça-feira, 24, o Ministério da Educação.

Na solenidade, que marcou a despedida de Haddad do cargo, a presidente não apenas elogiou o ministro, como aproveitou para fazer a defesa do Enem. A prova foi alvo de erros e problemas, como o vazamento de questões, e transformou-se em marca negativa da gestão de Haddad que os adversários pretendem atacar.

"É a forma mais democrática de acesso dos jovens brasileiros ao ensino universitário", afirmou Dilma sobre o Enem. "É um exemplo da determinação do ministro Fernando Haddad no sentido de assegurar uma transformação e uma 'deselitização' do ensino universitário no País."

Para afastar o fantasma do Enem, o governo federal fará duas edições do exame só em 2013, o que evitaria desgastes para Haddad na disputa. Neste ano, a edição de abril foi cancelada e haverá provas apenas em novembro, após um eventual segundo turno das eleições.

Dilma reconheceu que o Enem enfrenta problemas, mas afirmou que ele "é um grande caminho" e classificou o vestibular como "sistema antigo e antiquado" e "elitista". Para justificar os problemas do Enem, a presidente comentou: "Nós somos seres humanos. Quando tem erros, a gente tem de aprimorar; ninguém está dizendo que nada é perfeito; está dizendo que (o Enem) é um grande caminho".

Numa cerimônia esvaziada pelo recesso parlamentar, a ponto de cadeiras vazias terem sido recolhidas do salão do Palácio, e marcada pela ausência da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que também desejava concorrer à Prefeitura, Haddad disse que era "justo poder celebrar a conclusão de um ciclo".

Para Haddad, os problemas enfrentados pelo MEC com o Enem não atrapalharão a campanha. "Ao contrário e já respondi isso mais de uma vez. Faça uma pesquisa sobre o Enem que vocês vão constatar que a juventude aprova, sobretudo o jovem de escola pública", declarou.

Lembrado de que um de seus adversários, Gabriel Chalita, do PMDB, também é da área de educação, o ministro disse que vai levar suas conquistas para a campanha. "Eu penso que todo mundo vai defender a sua biografia legitimamente, mas, mais do que isso, é dizer o que vai fazer pela cidade. O que a cidade quer saber é quais são as propostas de cada candidato, e se essa pessoa tem serviços prestados ao País na escala que SP exige."

Questionado se a sua experiência como ministro é suficiente para administrar São Paulo, Haddad respondeu que "devemos enaltecer as pessoas que querem disputar um cargo tão importante e não procurar diminuir". Indagado sobre o fato de José Serra não concorrer, Haddad esquivou-se. Disse apenas que "gostaria de, até amanhã (hoje), falar um pouco mais de educação e menos de Prefeitura. "A partir de quarta falo mais de prefeitura e menos de educação".

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