Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Na reta final, Marta e Doria viram alvo de rivais

Em queda nas pesquisas, Russomanno mudou de estratégia e partiu para confronto

Valmar Hupsel Filho, O Estado de S. Paulo

26 de setembro de 2016 | 01h01

SÃO PAULO - A proximidade com o dia da eleição e a situação de empate técnico entre os três líderes nas pesquisas de intenção de voto na disputa pela Prefeitura de São Paulo serviram de ingredientes para uma intensa troca de ataques entre os candidatos no debate promovido na noite de ontem pela Record. Marta Suplicy (PMDB) e João Doria (PSDB) foram os principais alvos dos ataques dos adversários no encontro. 

Acusações de má-fé, ignorância, além de insinuações sobre corrupção fizeram parte do enredo do programa. Até mesmo o candidato do PRB, Celso Russomanno, que em debates anteriores adotou uma estratégia de não entrar em confronto com os rivais, partiu para o ataque contra Marta.

"Enquanto eu estava nos aeroportos defendendo o direito dos consumidores, você estava em Paris dizendo para a população 'relaxar e gozar'", afirmou o candidato ao rebater uma acusação da peemedebista de que deixou de pagar funcionários de um bar em Brasília em que era sócio. O candidato negou e ameaçou entrar com um processo na Justiça contra Marta.

O enfrentamento ocorre após Russomanno cair quatro pontos na última pesquisa Datafolha, divulgada na quinta-feira, e perder a liderança isolada na corrida eleitoral.

Marta também foi alvo de Fernando Haddad (PT), que disputa com a senadora o voto na periferia da cidade, tradicional reduto petista. As críticas foram em relação à gestão de Marta na Prefeitura, da qual Haddad fez parte. Quando teve chance, Marta acusou o adversário de má-fé e citou promessa de campanha não cumprida pelo petista de construir 20 unidades do Centro Educacional Unificado (CEUs), bandeira da gestão da ex-petista.

Haddad também questionou Marta sobre sua mudança de posicionamento em relação ao programa de inspeção veicular na capital, insinuando que a proposta de restabelecer a empresa que geria o serviço, a Controlar, interessava ao hoje ministro Gilberto Kassab. "A inspeção será gratuita, opcional, faz quem quer e depois desconta no IPTU", respondeu a peemedebista. 

Pressão. Com 2% na última pesquisa, Major Olímpio (SD) insinuou pressão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) contra sua candidatura. Alckmin é o principal patrocinador da candidatura de João Doria (PSDB).

Ao questionar o tucano sobre ação do Ministério Público Eleitoral, que apura possível troca de cargos no governo por apoio à coligação do tucano, o candidato do Solidariedade disse "não ter preço". "Meu partido foi pressionado. Eu tenho um recado para você e para o governador Geraldo Alckmin. Eu não tenho preço", disse Olímpio.

"Nós temos muitos partidos no governo. O PRB tem secretaria, o Solidariedade tem secretaria, partidos que têm candidatos. Isso é desculpa esfarrapada. Ele está tentando provocar, mas eu não sou candidato", respondeu Alckmin da plateia, de onde acompanhava o debate.

Doria ainda foi alvo de Luiza Erundina (PSOL), que acusou o tucano de agir por interesse de empresas ao propor a privatização de bens públicos. "É incrível que você afirme que é um gestor e não é político. Isso é ignorância", disse. / COLABOROU JULIANNA GRANJEIA

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