Hélvio Romero/Estadão
Hélvio Romero/Estadão

Na reta final, Luiza Trajano faz campanha para tirar candidatas mulheres da 'invisibilidade'

'Somos totalmente a favor de cota. Cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade', afirma a empresária, que preside o Grupo Mulheres do Brasil

Jussara Soares, O Estado de S.Paulo

10 de novembro de 2020 | 17h48

BRASÍLIA -  A empresária Luiza Helena Trajano, presidente do Conselho de Administração do Magazine Luiza, vai dedicar a reta final das eleições municipais a pedir votos para candidatas a vereadoras que assinaram uma carta se comprometendo a apoiar em seus mandatos a defesa dos direitos humanos e da democracia, entre outras pautas. O objetivo é dar visibilidade às candidaturas femininas. 

A iniciativa é do Grupo Mulheres do Brasil, presidido pela empresária, considerada pela revista Forbes uma das mais ricas do Brasil.  Até esta terça-feira,  10, 199 candidatas já assinaram o compromisso e outras 356 já formalizaram o pedido para apoiar as premissas defendidas do grupo. Ao todo, são representantes de 27 partidos e 149 municípios espalhados por 22 Estados brasileiros.  Para se tornar signatária, não é preciso integrar o grupo.

“Uma das nossas metas globais é colocar mais mulheres na política. Estamos começando com vereadoras,  mas queremos chegar às deputadas e senadoras, uma vez que é no Congresso que se resolvem as grandes leis”, disse Luiza em uma conferência virtual com jornalistas mulheres na manhã desta terça-feira, 10.

A empresária mencionou o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que prometeu votar na semana que vem cotas para mulheres no Legislativos municipal, estadual e federal. “Somos totalmente a favor de cota. Cota é um processo transitório para acertar uma desigualdade. Nós temos que ter pelo 30% a 40% de mulheres, que têm que defender causas não só das mulheres”, disse a empresária. 

O texto original da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), aprovada em 2015 pelo Senado,  cria uma reserva para a representação feminina nas três esferas do Legislativo, iniciando com 10% e aumentando para 12% e 16%, nas duas legislaturas seguintes. Atualmente, dos 513 deputados federais, 77 são mulheres. No Senado, são 11 dos 81 senadores.

As candidatas a vereadoras signatárias da carta se comprometem na defesa de direitos humanos; defesa da democracia plena e liberdade de imprensa; luta contra qualquer tipo de discriminação (cor, raça, origem, deficiência, classe social, orientação afetiva ou credo) e apoio à reparação das desigualdades sociais. Elas também apoiam a defesa da igualdade de oportunidades entre homens e mulheres; o combate à violência contra a mulheres, e luta por educação pública de qualidade e sistema de saúde eficiente, além da busca pela sustentabilidade ambiental.

Após a eleição, as vereadoras eleitas serão monitoradas. “Não é uma questão de ficar fiscalizando, mas é uma questão de unidade para defender o país”, disse a empresária. “É uma obrigação nossa como cidadã e mulher a defender essas causas. Ela pode ser de qualquer partido, mas se o partido votar contra isso, ela não pode votar a favor”, afirmou Luiz Trajano.

Fundado em 2013, o Grupo de Mulheres do Brasil, por meio da plataforma Appartidárias, monitorou nos últimos anos o desempenho de mulheres nas urnas. Atualmente, o grupo conta com 70 mil integrantes. Em um relatório feito após as eleições de 2018, a organização cita que, apesar de os partidos serem obrigados a lançar 30% de mulheres, a regra é burlada com o uso de  laranjas, em que a candidata concorda em apenas se colocar na disputa para a legenda atender ao critério, mas também com os partidos destinando poucos recursos.

No último domingo, Luiza foi às redes sociais celebrar a eleição de Kamala Harris como vice-presidente dos Estados Unidos. “Foi muito bom pra causa e tomara, e a gente quer estar junto, para ela dê muito certo”, disse a empresária, que afirma não ter intenção de disputar nenhum cargo. “Nunca me filiei a partido. Nunca passou pela minha cabeça. Se eu gostasse disso, tinha me filiado."

 

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