Na reta final, Bolsonaro faz ofensiva no Nordeste e lamenta prisão de Lula

Região é a única em que o candidato do PSL não lidera, segundo a última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo; a rádio de Pernambuco, deputado disse que petista condenado pela Lava Jato poderia ter sido um 'grande presidente'

Kleber Nunes e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

04 Outubro 2018 | 10h32
Atualizado 04 Outubro 2018 | 13h36

RECIFE - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, iniciou nesta quinta-feira, 4, uma ofensiva para atrair o eleitor nordestino. É na região que ele apresenta o pior desempenho segundo a última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo divulgada na quarta-feira à noite. Pelo Twitter, ele disse que o "Brasil é um gigante hoje" pela força da população do Nordeste. Em entrevista à Rádio Jornal do Commercio, do Recife, Bolsonaro declarou que, se eleito, não vai "fechar as torneiras" para os governadores de partidos de oposição e, criticando o candidato do PT ao Planalto, Fernando Haddadlamentou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e elogiou o petista condenado pela Lava Jato.

A região é a única em que ele aparece atrás do seu principal adversário, o candidato Fernando Haddad (PT). De acordo com o Ibope, Bolsonaro lidera as intenções de voto no quadro nacional com 32% e Haddad aparece com 23%. No Nordeste, Haddad tem 36% das intenções de voto e Bolsonaro, 21%.

Em aceno ao eleitor nordestino, na rádio pernambucana, o deputado prometeu ainda priorizar a segurança hídrica na região, manter e aumentar o valor dos programas sociais como o Bolsa Família. Aos ouvintes da emissora, Bolsonaro ainda lembrou que a filha dele tem "sangue nordestino" .

De acordo com o Ibope divulgado na segunda-feira, 1, Bolsonaro é rejeitado por 59% dos eleitores do Nordeste, tradicional reduto eleitoral do PT. Com exceção de Alagoas, onde o capitão reformado empata com Fernando Haddad (PT), o deputado perde em todos os outros oito Estados da região.

Em sua fala à rádio pernambucana, o candidato do PSL lamentou a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao criticar Haddad: "Peço para o nordestino que tem parente ou amigo em São Paulo para ligar para ele e perguntar sobre o prefeito Haddad, que foi tão mal em São Paulo que perdeu no primeiro turno para o (João) Doria. Ele (Haddad) agora está servindo um homem que poderia ser um grande presidente, mas o Lula está colhendo o que ele plantou, lamento que ele esteja preso”, declarou. 

“Não estar afinado com um governador não pode sacrificar a população, isso faz parte daquilo que eu sempre preguei, que é a união dos povos. O Estado que eleger um governador do PT ou PDT, não tem problema nenhum, queremos descentralizar os recursos, não tem porque fechar torneira para governadores”, disse.

Bolsonaro declarou que se eleito não pretende começar novas obras pelo Brasil, mas destravar as que ainda não foram entregues com a ajuda do Exército. Para o Nordeste, o candidato disse que os empreendimentos de infraestrutura hídrica serão prioridade. “Em Israel chove menos, e se planta de tudo, eles ainda exportam para a Europa. Quero trazer (esse modelo) para cá”, afirmou.

Em sua conta no Twitter, Bolsonaro também ensaiou uma tentativa de aproximação com eleitores nordestinos na manhã desta quinta. "A essência do povo nordestino é uma das principais belas formas da diversidade cultural do Brasil. Graças a estes homens e mulheres o Brasil é um gigante hoje. Preservando nossos valores familiares e com o que temos em material humano e natural, podemos e seremos maiores ainda!", escreveu o candidato no microblog.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.