Na redemocratização, o dia é de contestações

Na pista, soldados marchando, carros e tanques passando diante de autoridades postadas nos palanques. Fora dela, em frente às autoridades e espalhados pelo País, manifestantes vaiando, gritando palavras de ordens e empunhando faixas. Tem sido esse, desde a redemocratização, em 1985, o clima no dia em que se comemora a independência do Brasil. Para reduzir o estrago, alguns políticos tomam medidas drásticas. Em 1989, José Sarney mudou o local do desfile: do Eixo Rodoviário ele passou para um ponto em frente ao QG do Exército. No ano anterior, o então presidente fora vaiado e a polícia apreendeu faixas e agrediu manifestantes.

CARLOS EDUARDO ENTINI, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2013 | 02h04

No governo FHC, em 1999, o Distrito Federal convocou seus servidores para engrossar o público. Mas não escapou das vaias. "No fim do desfile com aplausos dos convidados (...) o presidente chegou a ser vaiado por parte das pessoas que assistiam à solenidade", relatou o Estado em 8 de setembro daquele ano. A mesma tática foi usada no ano seguinte, com a contratação de 200 ônibus para levar moradores das cidades-satélites ao desfile. Mesmo assim, o desfile acabou em vaias.

Em 2011, Dilma Rousseff presenciou marcha contra a corrupção que reuniu cerca de 25 mil pessoas. De um lado da Esplanada era celebrado o Dia da Pátria, do outro desfilavam os manifestantes. Em 2012, tapumes foram instalados em toda a extensão da Esplanada para que os protestos no outro lado da pista não fossem percebidos.

Desde 1995 o movimento Grito dos Excluídos, originário da Pastoral Social da Igreja Católica, ocupa, nessa data, ruas de várias cidades criticando o modelo econômico. Com o tempo, movimentos sociais foram se incorporando ao Grito.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.