Guillaume Horcajuelo / EFE
Guillaume Horcajuelo / EFE

Na Itália, governo comemora eleição de Bolsonaro e anuncia que vai pedir extradição de Battisti

'No Brasil, os cidadãos também expulsaram a esquerda!', escreveu Salvini em suas redes sociais

Jamil Chade e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 05h36
Atualizado 29 de outubro de 2018 | 22h24

Matteo Salvini, chefe da extrema-direita italiana e ministro do Interior de seu país, felicitou na manhã desta segunda-feira, 29, o presidente eleito Jair Bolsonaro pelos resultados das urnas no Brasil. Ele ainda deixou claro: irá pedir a extradição imediata de Cesare Battisti

“No Brasil, os cidadãos também expulsaram a esquerda!”, escreveu Salvini em suas redes sociais. “Bom trabalho ao presidente Bolsonaro, a amizade entre nossos povos e nossos governos será ainda mais forte”, declarou. 

Ele também indicou qual será uma de suas prioridades na nova relação com o governo brasileiro.“Depois de anos de discursos em vão, eu pedirei que eles nos reenviem para a Itália o terrorista vermelho Battisti”, completou.

No último dia 26, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), cotado para ser ministro-chefe da Casa Civil num governo Bolsonaro, já havia indicado que a revisão do caso de Battisti poderia ocorrer. "O terrorista e bandido albergado por Lula e sua quadrilha no Brasil vai cumprir o que a legislação italiana determina", afirmou.

Em sua conta do Twitter, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, agradeceu ao ministro do Interior da Itália, Matteo Salvini, pela manifestação de apoio à vitória e afirmou que “o presente está chegando”

Battisti, de 63 anos, integrou nos anos 1970 um grupo terrorista na Itália e foi condenado à prisão perpétua por homicídios. Ele fugiu da Itália e foi preso em 2007 no Rio de Janeiro. O então ministro da Justiça do Brasil, Tarso Genro, concedeu a Battisti o status de refugiado político, decisão muito criticada na Itália.

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ilegal o status de refugiado e autorizou a extradição, mas reconheceu que o presidente da República tem competência para negá-la. No final de 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva – condenado e preso pela Operação Lava Jato – negou a extradição, e hoje Battisti vive livre no Brasil.

Bolsonaro debateu a questão de Battisti ao receber, na semana passada, um representante de Salvini, que entregou uma carta de apoio do político a Bolsonaro

'Ninguém está tranquilo', afirma advogado de Battisti

Nesta segunda-feira, 29, um dia depois da eleição de Bolsonaro, Battisti foi a São Paulo para consultar seu advogado, Igor Tamasauskas. “É lógico que ninguém fica tranquilo numa situação dessas. Mas ele está sereno”, disse o advogado. Segundo Tamasauskas, um habeas corpus do ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), transformada em reclamação em outubro do ano passado, impede a deportação do italiano. 

O STF ainda não julgou o mérito do caso. O advogado argumenta que Battisti está amparado pela Constituição, que fixa prazo (já esgotado) de cinco anos para a revogação de um decreto presidencial e também pelo novo Estatuto do Estrangeiro, que proíbe a deportação de estrangeiros que tenham filhos brasileiros, como é o caso de Battisti. 

Segundo pessoas próximas de Battisti, ele tem levado a vida normalmente em Cananeia, cidade no litoral sul de São Paulo. Recentemente, ele se mudou para a casa que começou a construir no ano passado e, na semana passada, recebeu uma das filhas e o neto, que vivem na França. Dentro de um mês, o italiano vai lançar o novo livro “Marco Zero” que mistura ficção e história, ambientado em Cananeia. Cesare Battisti pretende viajar pelas principais capitais brasileiras para promover o lançamento do livro.

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