Na Inglaterra, um 'cão de guarda' dita os limites para tudo

Enquanto os deputados brasileiros vão à luta para libertar seus ganhos de qualquer controle externo, o Parlamento inglês avança na direção contrária. Lá existe desde 1910 uma espécie de agência reguladora dos custos legislativos, a Independent Parliamentary Standards Authority (Autoridade Independente para Padrões Parlamentares).

O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h11

Tendo no comando um "cão de guarda" - como o define a mídia -, sir Ian Kennedy, um pequeno grupo de cinco consultores decide por sua conta quanto deve ganhar cada um dos 646 eleitos. De quebra, estabelece os limites anuais para gastos com viagens e assessores (4 cada, na média).

Para tristeza dos políticos, sir Ian é uma figura inatacável. Ficou famoso por reestruturar com sucesso o imenso sistema de saúde britânico. Ele não se assusta com pressões. "Nosso cliente é o contribuinte", avisa.

Isso não significa que os políticos ingleses estejam a pão e água. Para 2011, a IPSA estabeleceu o salário anual dos parlamentares em £ 65.738 (R$ 18.100 por mês). Em gastos adicionais, mais £ 144.000 por ano (R$ 38 mil por mês). Em 2013, ele admite um modesto aumento de 1%. Muitos políticos chiaram. Não imaginavam nada disso ao aprovar em 2009 o Ato de Reforma e Governança - que criou a IPSA. Mas não acharam clima para montar nenhum lobby contra. / GABRIEL MANZANO

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