Christina Rufatto/ESTADÃO
Christina Rufatto/ESTADÃO

Na estreia como candidato, Datena embarca em crítica à segurança e enquadra os próprios aliados

Ele citou especificamente a situação observada em São Paulo, Estado governado há décadas pelo PSDB de João Doria e Geraldo Alckmin

Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 15h42

O apresentador José Luiz Datena mal se lançou na política e já mostrou que não vai economizar no discurso, mesmo que isso signifique questionar diretamente a gestão de seus próprios aliados. Em sua estreia ao microfone como candidato ao Senado nas eleições 2018 pelo DEM, ele criticou a segurança pública, citando especificamente a situação observada em São Paulo, Estado governado há décadas pelo PSDB de João Doria e Geraldo Alckmin.

+ BR18: Datena diz que soltar José Dirceu dá espaço para libertar bandido do PCC

"O crime organizado no Brasil, e mais especificamente o PCC, criado em São Paulo, é a organização criminosa que mais cresce no mundo inteiro. Se é a que mais cresce, significa que o sistema de segurança pública de São Paulo, do Brasil, está falido", afirmou Datena. O apresentador vai integrar a chapa encabeçada pelo próprio Doria, ex-prefeito de São Paulo.

Datena disse estar presente na cerimônia "a contragosto pra caramba", por conta da morte do empresário do setor de restaurantes Toninho Buonerba, de quem é amigo. Mas explicou que não abria mão de cumprir um compromisso com a família e os eleitores. "Vocês podem ter um político de péssima qualidade, uma porcaria de político, mas vão ter um cara que vai ser honesto com vocês", acrescentou.

++ Datena pode atrair eleitores em busca de novo e impactar em outras candidaturas do DEM

"Estamos fartos de mentira. Queremos acreditar que essa classe política chegou ao limite e que façam desse País um grande País, pensando no povo e para o povo, e não do bolso e para o bolso", destacou em outro trecho do discurso. O apresentador disse que aceitou estar ao lado de "tanta gente que mete o pau" porque, apesar disso, há bons quadros em todo lugar. "Se a gente não acreditar nisso, o próximo passo vai ser um regime de exceção". Mas deixou claro que não pretende mudar seu jeito. "Tem cara que faz parte da coligação e que me odeia. Que se explodam."

Datena criticou os políticos que defendem a reforma da Previdência antes da reforma política. A afirmação foi feita ao lado de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara e pré-candidato do DEM à Presidência. Ele disse ainda que ficou "desesperado" quando o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa desistiu de concorrer porque considera necessário renovar a política.

++ Siglas questionam cota de recursos para candidatas nas eleições 2018

Também participaram do evento o ministro da Tecnologia Gilberto Kassab (PSD), os deputados Rodrigo Maia e Rodrigo Garcia (DEM) e o prefeito Bruno Covas (PSDB), entre outros. O presidente do PRB, pastor Marcos Pereira, que integra a coligação, não compareceu nem colocou representante na mesa.

Votos. Datena deixou o local sem responder a perguntas da imprensa, alegando que precisava ir ao velório de seu amigo. Aos jornalistas, Doria minimizou as críticas de Datena e disse que sua sinceridade é "tão grande quanto o número de votos que vai ter". "Não vamos mudar o jeito Datena de ser. Ele terá a maior votação ao Senado da história", garantiu.

Doria também negou que exista qualquer tipo de atrito dentro da coligação por causa da chegada do apresentador de TV.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.