Na economia, sabe-se ‘o que’, não ‘como’ dos presidenciáveis

Campanhas de Dilma, Marina e Aécio indicam os rumos, mas falta clareza sobre políticas para concretizar planos

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 03h00

A teoria econômica que norteia os três principais candidatos está clara. De um lado, Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB) defendem uma política econômica mais conservadora, com o retorno do chamado tripé macroeconômico. Do outro, Dilma Rousseff (PT) dá poucas pistas em relação a condução da economia num eventual segundo mandato e diz que o foco é a criação de emprego. A certeza maior no caso da reeleição é a saída do ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Por ora, o que une os candidatos é pouca clareza em como atingir as principais propostas, sobretudo quando os assessores saem de cena e as repostas econômicas ficam a cargo dos próprios presidenciáveis.

Há algumas certezas para a economia brasileira em 2015: a previsão é de baixo crescimento, com inflação pressionada por causa do represamento dos preços administrados (da energia e do combustível, por exemplo) e será necessário um ajuste fiscal. As instituição ouvidas pelo relatório Focus, do Banco Central, apontam um avanço do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 1,10% no ano que vem e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a inflação oficial do País – ficará em 6,29%, pouco abaixo do teto da meta, que é de 6,5%.

“É muito difícil fazer previsões para 2015 porque os candidatos não estão dizendo exatamente o que vão fazer caso eleitos”, afirma José Márcio Camargo, economista da Opus Gestão de Recursos e professor de economia da PUC-Rio. “Em 2015, se um ajuste não for feito de forma organizada, ele acontecerá de forma desorganizada. A economia não vai conseguir crescer se as correções necessárias não forem feitas. Isso é um ponto fundamental.”

As três principais campanhas prometem, por exemplo, o controle da inflação. Marina Silva – a única a apresentar um programa de governo até agora – e Aécio Neves dão indícios de que devem trabalhar com a meta de 4,5%, mas não dão o caminho de como vão chegar lá nem quando. A campanha da ex-ministra, ainda quando era capitaneada por Eduardo Campos, chegou a propor a redução do centro da meta até o fim do próximo mandato presidencial, mas a ideia foi abandonada. Já Dilma Rousseff evita qualquer compromisso com uma meta.

Na política fiscal, Marina e Aécio também prometem um superávit primário maior do que o atual, mas não estipulam um valor. A ex-ministra propõe criar um Conselho de Responsabilidade Fiscal (CRF), e o tucano promete um superávit capaz de reduzir o tamanho da dívida pública. Na série Entrevistas Estadão, Dilma deu vagos indícios de que deve fazer uma política fiscal um pouco mais restritiva. Ela disse que o Brasil “tem condições de diminuir uns incentivos (fiscais), mas outros não.”

As três principais campanhas também são pouco claras com relação à condução da política monetária. O debate ficou mais concentrado no papel do Banco Central (BC). A independência da instituição é defendida pelo programa de governo de Marina, mas o modelo “só será mais detalhado após as eleições”. Ela propõe um “mandato fixo para o presidente, normas para sua nomeação e a de diretores”.

Dilma não detalha o que pretende num segundo mandato e usou o tema para atacar a adversária depois de perder a lideranças nas pesquisas. “Esse povo da autonomia do BC quer o modelo anterior: um baita superávit, aumentar os juros pra danar, reduzir emprego e reduzir salário”, declarou.

Aécio mantém a proposta de uma instituição com autonomia operacional.

 

    

 Dilma

 Marina

 Aécio
Inflação 

Sem apresentar um programa oficial, a candidata resiste a falar sobre metas para a inflação, mas diz que manterá alta dos preços sob controle, abaixo do teto da meta (6,5%). Nos último anos, a equipe econômica do governo represou os preços administrados, como energia e combustível.

   

Propõe trazer a inflação para perto do centro da meta (4,5%). Ela abandonou a proposta de Eduardo Campos de reduzir o centro da meta até o fim do mandato. Alexandre Rands, um dos auxiliares econômicos, defendeu a elevação do centro, mas foi desautorizado pela candidata.

   

O tucano, que também não apresentou um programa oficial, fala em trazer a meta de inflação para 4,5% ao ano, mas sem especificar um prazo. Quando atingida, a meta seria reduzida, assim como a banda - atualmente em dois pontos porcentuais, para mais ou para menos.

 

 

Política fiscal

Não específica um valor para as metas de superávit, mas em entrevista ao Estado prometeu diminuir "alguns incentivos fiscais". O Estado também mostrou na edição de domingo que, no caso de uma reeleição, um futuro governo deve anunciar uma meta fiscal crescente a partir de 2016.

   

Fala em manter o superávit fiscal necessário para assegurar o controle da inflação, mas não estipula um valor. A campanha da ex-ministra também pretende criar o Conselho de Responsabilidade Fiscal (CRF) para acompanhar o cumprimento das metas fiscais.

   

Sem especificar um número, as diretrizes do tucanos falam em superávit primário capaz de reduzir a dívida do País. A área econômica da campanha de Aécio também defende que as metas de superávit poderiam ser ajustadas aos ciclos de crescimento da economia brasileira.

   

Política motenária 

A campanha não dá sinais de como será a política monetária num segundo governo, mas a comando da Dilma tem insistido numa tática antielitista."Esse povo da autonomia do BC quer o modelo anterior: um baita superávit, aumentar os juros pra danar, reduzir emprego e reduzir salário", disse Dilma.

 

Não específica como será a política monetária, sobretudo o controle da inflação. Marina propôs a independência do Banco Central com um mandato fixo para o presidente. No programa de governo, diz que só vai detalhar o novo modelo proposto depois da eleição.

 

A campanha diz que as taxa de juros será " mais normal e para valer, de maneira sustentável", mas não detalha como chegará lá. Com relação ao Banco Central, a campanha de Aécio Neves defende a autonomia operacional da instituição, modelo que, em tese, vigora atualmente.

 

Bancos públicos 

Pretende manter o uso dos bancos públicos na economia, alegando que uma redução da participação das instituições prejudicaria os recursos para os programas sociais, como Minha Casa Minha Vida.

 

 

Promete restrição ao uso dos bancos públicos para financiar grandes empresas. A candidata do já criticou o uso do político dos bancos e disse que Dilma criou o ‘bolsa banqueiro’.

 

 

Também defende redução do papel dos bancos públicos na economia, sobretudo do BNDES. O candidato tucano já disse que o governo não tem políticas claras a respeito desses temas.

 

 

 

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