Na contramão de discurso de Temer, Marta volta a citar jornada de trabalho de 12 horas em campanha

Candidata peemedebista em SP reafirmou sua posição contrária à ampliação do limite de horas diárias trabalhadas mesmo após governo federal dizer que proposta não é essa

O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2016 | 17h50

Em caminhada pelo extremo norte da cidade de São Paulo neste sábado, 17, e em programa eleitoral veiculado na TV, a candidata Marta Suplicy (PMDB) reafirmou sua posição contrária à ampliação do limite da jornada diária de trabalho para 12 horas. As declarações da candidata foram feitas mesmo após o presidente Michel Temer - que faz parte do mesmo partido de Marta - refutar a informação de que o governo tenha feito essa proposta.

Marta disse ser contra "qualquer mudança nos direitos adquiridos pelos trabalhadores" e que a defesa desses direitos era "condizente à sua história".

As declarações do ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira de que o governo estudava ampliar a jornada de trabalho para 12 horas foram motivo de polêmica nesta semana. Depois da fala de Nogueira, Temer veio a público afirmar que as mudanças da reforma trabalhista não vão tirar direitos dos trabalhadores. O Ministério do Trabalho também divulgou nota de esclarecimento para contestar aquilo que tem chamado de "boato". Segundo a nota do governo, ao invés de jornadas de 12 horas, a proposta seria de um limite diário de 12 horas, já contatas as horas extras  e sem alterar o teto semanal de 48 horas.

Assessores da campanha de Marta, porém, avaliam que as falas da candidata não devem "azedar as relações" com Temer ou com o PMDB. 

No vídeo, Marta reforça a ideia de que a proposta vem do Ministério do Trabalho - cujo ministro, Ronaldo Nogueira, pertence ao PTB. A ênfase no partido do ministro tem uma explicação simples: apesar de o PTB compor o governo Temer, também está na base de apoio do candidato Celso Russomanno (PRB) - que nesta semana não quis falar sobre suas convicções em relação à reforma trabalhista porque, segundo ele mesmo, o tema poderia "fazer sua campanha naufragar". A fala do candidato tem sido usada no horário eleitoral de Marta.

"Um candidato a prefeito não pode deixar de dizer o que pensa sobre algo tão importante", comenta Marta o programa eleitoral.

Neste sábado, Russomanno voltou a evitar o tema. Ao ser questionado, durante caminhada na zona leste, disse apenas que "sempre esteve do lado do consumidor e do lado dos trabalhadores". 

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