Na Casa Civil, nome escolhido dita relação com futura campanha

Opção por Mercadante dá perfil mais político ao principal ministério do governo; Carlos Gabas é alternativa mais 'técnica'

TÂNIA MONTEIRO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2014 | 02h08

A escolha que a presidente Dilma Rousseff fará para dirigir a Casa Civil, considerada a principal pasta do governo, que ela própria já comandou, apontará o rumo que o governo deve tomar na reta final do primeiro mandato. Até o início da semana passada, o nome considerado como certo era o do ministro da Educação, Aloizio Mercadante.

Nos últimos dias, no entanto, surgiram informações que Mercadante poderia não deixar a Educação para ficar mais liberado para trabalhar na coordenação da campanha à reeleição de Dilma. Mas no Planalto essas informações foram consideradas apenas "diversionistas", para tirar o foco de Mercadante e não queimá-lo.

Os que asseguram que a bolsa de apostas ainda está aberta citam que estariam concorrendo para o cargo também o secretário executivo do Ministério da Previdência, Carlos Gabas, e os ministros das Comunicações, Paulo Bernardo, e do Planejamento, Miriam Belchior.

Há ainda quem lembre que a presidente Dilma pode tirar da manga uma carta, a exemplo do que ocorreu quando ela escolheu a senadora Gleisi Hoffmann. Mas o fato é que, agora, a Casa Civil está pronta para receber Mercadante, recuperar o esvaziamento sofrido nos últimos tempos e retomar a visibilidade e o poder que já teve com Antonio Palocci e José Dirceu.

Com Mercadante no cargo, a Casa Civil tende a ser um ministério muito mais político do que técnico, que conversará diretamente com a cúpula da campanha da reeleição. O fluxo de informações políticas e administrativas do Planalto para o comando da campanha será um efeito natural dessa opção. Ex-senador e ex-líder do governo no Congresso, o senador manterá uma proximidade muito maior com o Congresso e assimilará funções de coordenação política, além de fazer a interlocução com o empresariado.

Perfil técnico. Mas se Dilma optar por outra pessoa para conduzir o governo enquanto estiver mais dedicada à campanha, o segundo nome na bolsa de apostas, Carlos Gabas, daria um perfil mais discreto e técnico do que político à Casa Civil. Uma terceira opção seria Paulo Bernardo, que já teve seu nome lembrado para o cargo inúmeras vezes, e que combinaria um misto dos dois perfis. Ademais, é marido de Gleisi e, em razão disso, sabe bem dos assuntos que competem à pasta. Outro nome ventilado é o de Miriam Belchior, que seria uma saída mais técnica do que política. Mas seu nome caiu na bolsa de apostas por já ter tido vários problemas de relacionamento com Dilma quando ela era ministra da Casa Civil.

A definição da Casa Civil dependerá do xadrez político da reforma ministerial que está sendo desenhado por Dilma, que ainda não definiu a nova divisão de forças no governo. A presidente está sofrendo pressões não só do PMDB, que ameaçou se rebelar esta semana, mas de todos os partidos que desejam obter ou ampliar seu espaço na Esplanada.

Dilma prosseguirá as conversas com os candidatos e partidos na semana que vem. Na próxima terça-feira, por exemplo, se reunirá com o secretário de Saúde de São Bernardo do Campo, Arthur Chioro, favorito para substituir o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que deixará o cargo para ser candidato do PT ao governo de São Paulo.

Dilma disse a auxiliares que pretende tomar a decisão sobre o sucessor de Padilha antes de viajar para Davos, onde participará do Fórum Econômico Mundial, a partir do dia 23.

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