Na Bahia, sai Médici, entra Marighella

Colégio estadual aprova mudança de nome

HELIANA FRAZÃO, ESPECIAL PARA O ESTADO, SALVADOR, O Estado de S.Paulo

14 Dezembro 2013 | 02h00

O Colégio Estadual Presidente Emílio Garrastazu Médici, localizado no bairro do Stiep, em Salvador, deverá mudar de nome e reverter radicalmente sua imagem no campo político. A direção da escola, com apoio do corpo docente, decidiu realizar uma votação envolvendo alunos, professores, pais e até outros moradores do bairro para retirar o nome do ex-presidente, que governou o Brasil de 30 de outubro de 1969 a 15 de março de 1974, durante a ditadura militar.

A escola foi inaugurada em 1971, durante a gestão do ex-governador Antonio Carlos Magalhães. Dois nomes foram submetidos à apreciação do eleitorado: o do guerrilheiro Carlos Marighella e o do geógrafo Milton Santos, que foi exilado durante a ditadura militar, ambos baianos. Venceu o primeiro com ampla margem de votos, 406 contra 128. Houve, ainda, 27 votos brancos e 25 nulos.

Inquietação. A diretora do colégio, Aldair Almeida Dantas, explica que o processo de escolha se iniciou no dia 30 de novembro e foi concluído no último dia 10. Segundo ela, há mais de 10 anos havia uma inquietação por parte do corpo de professores, principalmente dos profissionais ligados às áreas de Ciências Humanas, Filosofia e História, no sentido de dar uma outra denominação à escola. Ao longo desse período algumas iniciativas foram tomadas para mudar o nome da unidade, mas nenhuma delas prosperou.

"Este ano, porém, decidimos levar esse desejo dos professores à frente. Mas não foi algo de uma hora para outra. Realizamos um longo trabalho de pesquisa junto a toda a comunidade escolar, e percebemos que esse era um desejo comum", afirmou Aldair.

Segundo a diretora, a história de vida de ambos os candidatos foi apresentada aos alunos, de várias formas, por meio de vídeos, exposições, explanações e debates, e todos demonstraram grande interesse pelo assunto.

O 'Garrasta', como a unidade de ensino é conhecida no bairro, tem cerca de mil alunos e oferece cursos do ensino fundamental, ensino médio e profissionalizante.

Agora eles estão compilando todo o material envolvido no processo de escolha para submeter à apreciação do secretário de Educação do Estado, Oswaldo Barreto, que dará a palavra final.

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