Valter Campanato/Agência Brasil
Valter Campanato/Agência Brasil

Na Bahia, Rui Costa faz ‘vaquinha’ para sua campanha nas eleições 2018

Candidatos a deputado terão de contribuir com R$ 50 mil a R$ 100 mil para o governador

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2018 | 05h00

SALVADOR - Na primeira eleição estadual sem contribuição de empresas privadas, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), decidiu inverter uma lógica consagrada em campanhas anteriores. Em vez de repassar recursos para candidatos ao Legislativo da sua coligação, ele resolveu “passar a sacolinha” entre os postulantes aos cargos de deputado estadual e federal para que eles ajudem financiar sua campanha à reeleição. A ideia é arrecadar ao menos R$ 2 milhões, segundo o coordenador da campanha do petista nas eleições 2018, Jerônimo Rodrigues. O valor representa 20% dos R$ 10 milhões que Rui estima gastar durante a campanha este ano.

Mal recebida pelos aliados, a proposta consiste em fixar duas faixas de doações: R$ 50 mil para candidatos sem mandato e R$ 100 mil para deputados que já estão no cargo. Para candidatos a deputado estadual, a cota é de R$ 20 mil para quem tem mandato e R$ 10 mil para os que não têm.

“É óbvio que teve resistência. É natural que o ‘puxa-estica’ aconteça porque estamos acostumados com a campanha majoritária ajudando as proporcionais, e não com essa lógica que a nova forma de financiamento nos impôs”, afirma Rodrigues, que deixou o comando da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural para coordenar a campanha de Rui Costa. 

A reeleição de Rui é considerada prioritária pelo PT. O partido deve destinar entre R$ 3 milhões e R$ 4 milhões à campanha. Segundo Rodrigues, outra parte da arrecadação será feita por meio de jantares de adesão. Os candidatos a vice-governador, João Leão (PP), e a senadores, Jaques Wagner (PT) e Ângelo Coronel (PSD), também terão que contribuir, mas o valor ainda não está definido.

Além disso, foi feito um “ajuste fiscal” na campanha. Nas caravanas pelo interior do Estado, iniciadas na manhã desta sexta-feira, 17, os candidatos deverão circular de ônibus pelos municípios, a fim de economizar. Se for traduzido em números, o “cobertor curto” da campanha de Rui Costa à reeleição significa uma queda de 78% em relação à disputa de 2014, quando ele foi eleito no primeiro turno.

Há quatro anos, a campanha de Costa custou R$ 45,2 milhões, de acordo com dados do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) – ante os R$ 10 milhões estimados para 2018.

Oposição. O principal candidato da oposição, José Ronaldo (DEM), deve gastar quase a metade que a estimativa petista de gastos. O prefeito de Salvador, presidente do DEM e principal articulador da campanha de Ronaldo, ACM Neto, afirma que R$ 6 milhões é o teto que candidatos a governador devem receber da legenda – em 2014, a campanha do então candidato do partido ao governo, Paulo Souto, gastou R$ 21,6 milhões, 72% maior que a estimativa deste ano.

Para receber os R$ 6 milhões, no entanto, um candidato do DEM ao governo precisa combinar dois critérios: o tamanho do Estado e do eleitorado e da viabilidade eleitoral de sua postulação. O segundo requisito Ronaldo “hoje ainda não tem”, admitiu ACM Neto ao Estado. 

“Vamos mesclar esses dois critérios. Na Bahia deve haver majoração sim, pelo tamanho do Estado, do eleitorado e também porque a gente acredita que José Ronaldo vá crescer nas pesquisas”, disse. Nos bastidores, interlocutores do partido dizem que as transferências do DEM devem ser a principal forma de arrecadação da campanha de Ronaldo, e não há recursos de outra ordem previstos.

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