'Musa' da CPI já pensa em ser deputada

Andressa, mulher de Cachoeira, planeja vaga na Câmara; sua plataforma, o combate à corrupção

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2012 | 03h10

Na família Mendonça, de Goiatuba (GO), o patriarca Lair tem história na política e um plano para sua filha. Alçada à fama por ser mulher de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Andressa Mendonça discute com os familiares a possibilidade de seguir os passos do pai, vereador em Goiatuba há três mandatos consecutivos.

Despachante, com patrimônio declarado de R$ 2 milhões em 2008, é filiado ao PMDB. Em média, se elege com 2 mil votos. Nas eleições deste ano pensou em concorrer à prefeitura, plano abortado por sugestão da própria Andressa, que temia que o caso envolvendo o marido atrapalhasse a campanha do pai.

Condenado por improbidade administrativa, Lair queria garantir uma cadeira da Câmara Municipal para a filha.

Andressa, no entanto, sonha com voos mais altos: a Câmara dos Deputados. Fãs ela já tem. A mulher de Cachoeira é constantemente parada nas ruas ou nos tribunais para posar para fotos. Na volta do recesso, enfrentará o primeiro teste no Legislativo. Foi convocada para depor na CPI que investiga as relações políticas do marido. Ainda não se sabe se Andressa usará o direito constitucional de permanecer calada, como tem sido recorrente nessa CPI.

Plataforma. Ironicamente, sua plataforma contradiz as práticas políticas atribuídas ao pai e as acusações que pesam sobre o seu companheiro. A musa da CPI, como ficou conhecida, prega, além da defesa da legalização dos jogos no País, o combate à corrupção. Uma das acusações que pesam sobre Cachoeira é justamente a de crime de corrupção ativa. Além disso, na família Mendonça, seu Lair é apresentado como um político populista, "daqueles do pão e circo", como definiu um de seus parentes.

Aos amigos, Andressa sustenta que não caiu de paraquedas na política. Trabalhou em todas as campanhas do pai. Mergulhou nas eleições de 2010, quando o ex-marido, Wilder Morais, foi suplente de Demóstenes Torres ao Senado. O interesse cresceu quando começou a se relacionar com Cachoeira, conhecido pela desenvoltura com que circulava pelos bastidores de Brasília. Andressa costuma dizer que o companheiro é um dos homens que mais entendem de política brasileira e da história dos partidos. O tema é recorrente nos encontros semanais na Penitenciária da Papuda. Nos áudios da Operação Monte Carlo também.

Desde que assumiu a vaga do senador cassado, o ex-marido de Andressa também tem pedido conselhos para a mulher com quem ficou casado por quase oito anos.

Incomodada com a fama de fútil, Andressa tem evitado falar com a imprensa, atendendo a um pedido da mãe. Empresária, mãe de dois filhos, decoradora profissional de árvores de Natal, ela quer mostrar a imagem de uma mulher determinada e batalhadora e não só os casaquinhos Chanel e as bolsas Hermès.

Assistência. Desde que Cachoeira foi transferido para o presídio da Papuda, Andressa assumiu uma faceta pop também entre os presos e seus familiares. Formada em serviço social, ela nunca tinha entrado em um presídio.

Agora, a pedido do marido, tem atendido às mulheres dos detentos. A lista de solicitações que Cachoeira repassa à mulher é ampla: cestas básicas, fraldas, remédios e assistência jurídica.

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