Mulher de ex-diretor pagou carro em dinheiro

Andreia Vieira disse em depoimento que comprou Pajero por R$ 160 mil; PF investiga patrimônio associado a Paulo Vieira

BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2012 | 02h03

A mulher de Paulo Vieira, apontado pela Operação Porto Seguro como chefe de uma quadrilha que comprava pareceres técnicos de órgãos públicos para beneficiar empresas de aliados, disse em depoimento à Polícia Federal que comprou um Pajero por R$ 160 mil em dinheiro em 2011.

Os investigadores pediram que Andreia Cristina de Mendonça Vieira listasse os bens adquiridos por ela nos últimos cinco anos, com o objetivo de rastrear a evolução patrimonial do grupo liderado por seu marido. Ela citou a compra de um apartamento em Ubatuba, de uma casa em Araraquara e do carro. Andreia afirmou que "pagou em torno de R$ 160.000 em dinheiro".

A mulher de Paulo prestou depoimento à PF em Brasília no dia 23 de novembro, quando a operação foi deflagrada. Ela citou a aquisição do carro e dos imóveis antes da chegada de sua advogada, que depois pediu para que ela permanecesse calada até a conclusão do interrogatório.

Relatórios da operação confirmam que Andreia é dona de um Mitsubishi Pajero TR4 Flex HP registrado no Distrito Federal. Um carro novo desse modelo é vendido por cerca de R$ 75 mil, mas recursos como blindagem, proteção extra dos pneus, sistema de alarme e outras ferramentas de segurança podem dobrar o preço de tabela de um veículo.

A PF começou a rastrear a evolução patrimonial dos investigados pela Porto Seguro. Segundo a procuradora Suzana Fairbanks, "há indícios fortes de enriquecimento ilícito de Paulo Vieira".

Levantamento realizado a partir de correspondências eletrônicas e telefonemas interceptados aponta que Vieira comprou nos últimos anos veículos de luxo e um imóvel espaçoso em Brasília.

Uma troca de e-mails apresentada nos relatórios da operação revelou que Vieira adquiriu um apartamento duplex por R$ 1,47 milhão em 2012. Ele fez o pagamento em três cheques - um de R$ 800 mil, outro de R$ 630.750 e um terceiro, entregue ao corretor, no valor de R$ 44.250.

"Agora eu posso receber até a fogueteira aqui em casa, né? Porque além de ser duplex é uma cobertura. Em cima, dá pra montar até barraca", diz Vieira à irmã Mabrisa em um telefonema interceptado pela Polícia Federal.

Na mesma ligação, Vieira informa à irmã que comprou um apartamento em Perdizes, zona oeste de São Paulo. Em outro contato, Vieira diz que sua mulher fez uma aplicação de R$ 1,25 milhão no Banco do Brasil. Ele também comprou uma Range Rover Sport SE preta, modelo 2012, que os policiais calculam valer R$ 300 mil.

O advogado de Vieira, Michel Barre, não comentou o assunto.

Rosemary. Apontada como braço político da quadrilha, a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, teria usado R$ 211 mil em dinheiro vivo para comprar um apartamento, segundo reportagem do jornal Folha de S.Paulo. E-mails interceptados pela PF também mostram que um Pajero TR4 usado por ela pertencia à quadrilha de Vieira.

Os investigadores ainda abrirão inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro. Eles acreditam que bens adquiridos de forma ilícita, a partir de atos de corrupção, teriam sido ocultados ou dissimulados pela quadrilha.

A PF pediu quebra de sigilo bancário e fiscal de Rose e dos outros integrantes da quadrilha. A procuradoria se manifestou favoravelmente à medida. "Rose exercia papel importante enquanto membro da quadrilha", sustenta a procuradora Suzana Fairbanks.

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