'Mudança' não tem candidato, por enquanto

ANÁLISE: José Roberto de Toledo

O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2013 | 02h11

A mudança desejada por dois em cada três eleitores não tem cara. Nenhum dos candidatos de oposição conseguiu personificar o desejo de câmbio no governo. A desconexão entre os eleitores insatisfeitos e os presidenciáveis oposicionistas produz uma aparente incongruência: a maior parte declara voto em Dilma Rousseff. Dizem querer mudar, mas votam na atual presidente.

Repete-se o que aconteceu na eleição de presidente há quatro anos, mas com sinais trocados. Em 2010, a proporção era exatamente oposta: dois terços queriam continuidade. Até Dilma tornar-se suficientemente conhecida, grande parte dos eleitores "situacionistas" declarava voto no oposicionista José Serra. Isso só mudou a poucos meses da votação.

Por enquanto, Dilma é a cara da mudança, ao menos para 3 em cada 10 eleitores que gostariam de ver tudo ou muita coisa mudar no governo. Dos outros 7 pró-mudança, 44% não têm candidato (votam nulo, em branco ou não sabem responder). Só 18% optam por Aécio Neves, e os restantes 9% citam Eduardo Campos.

Esses eleitores que querem mudança são responsáveis, hoje, por 4 de cada 10 votos em Dilma. Sem eles, a presidente não se reelege. É atrás deles que Aécio e Campos correm atrás, sem sucesso, ao menos por ora.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.