MST perde espaço político e dinheiro com novo modelo

Novo modelo reduz repasses para ONGs ligadas a movimento, que reclama da falta de diálogo com Dilma

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

01 de janeiro de 2013 | 02h06

As mudanças produzidas pelo governo Dilma Rousseff no Incra estão atrofiando o Movimento dos Sem-Terra (MST). A organização só tende a perder espaço com a transferência de atividades do Ministério do Desenvolvimento Agrário para outras pastas. A entrega da tarefa de construção de moradias, por exemplo, para o programa Minha Casa, Minha Vida, fará com que os projetos deixem de passar pelas superintendências regionais, onde a influência do movimento sempre foi mais marcante.

Mudanças no critério de repasse de recursos para ONGs com as quais o MST mantém parceria também estão afetando a vida do movimento social. Agora, há menos recursos disponíveis.

Os canais de interlocução com o governo não funcionam como no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. A presidente Dilma ainda não recebeu representantes do movimento nem vestiu boné vermelho para fotos.

A Secretaria-Geral, do ministro Gilberto Carvalho, tem se limitado a atuar como bombeiro nas crises com os sem-terra. Rogério Sotilli, secretário executivo da pasta, ligado ao ex-ministro José Dirceu, implementou uma dinâmica que reduziu a presença de líderes de sem-terra nos órgãos da Presidência.

Há oito meses, Valdir Misnerovicz e seus colegas da direção nacional do MST entregaram ao governo uma pauta de pedidos, mas até agora não houve resposta. "O governo só nos chama para informar sobre aquilo que vai ocorrer. Deixamos de participar da parte de conceber as políticas", afirma. "O governo vai se distanciando dos movimentos."

Misnerovicz avalia que a perda de funções do Incra não deixa o órgãos mais forte para fazer desapropriações e assentar famílias. Ele estima que 85 mil famílias vivem hoje em 800 acampamentos, à espera de terra.

"Está havendo uma centralização de poderes, que é característica desse governo, onde a burocracia e a tecnocracia têm mais força que a política", afirma.

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