MST invade em 15 Estados e governo suspende negociações

'Jornada de Lutas' de sem-terra ocupa ainda ministério e 5 sedes do Incra; governo diz que só dialoga se eles saírem

O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2012 | 03h04

O Movimento dos Sem-Terra (MST) intensificou ontem a onda de ocupações do "abril vermelho" com protestos em 15 Estados. A ação começou com a invasão do Ministério do Desenvolvimento Agrário, em Brasília, e inclui - segundo lideranças do movimento - 38 ocupações de terra, cinco de sedes do Incra e quatro protestos em prédios públicos, além de bloqueio de estradas e acampamentos.

Na invasão do ministério, o MST pediu audiência com a presidente Dilma Rousseff mas foi logo informado pelo ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) de que não haverá diálogo enquanto o prédio e as sedes do Incra estiverem ocupados. "Não posso me sentar com o movimento enquanto ele estiver ocupando", explicou.

Em advertências anteriores, o MST informou também que as operações de 2012 representam uma represália à decisão do governo federal de congelar 70% das verbas do Incra destinadas a desapropriações. Ainda assim, Carvalho deixou a porta aberta: "Assim que desocuparem, retomaremos a negociação. Vamos fazer de tudo para atender às reivindicações justas deles".

O ministro da área, Pepe Vargas, divulgou uma nota na qual diz contar com o bom senso dos invasores e com a desocupação espontânea do ministério.

Jornada. "Abril vermelho" é como os sem-terra denominam as ações da chamada "Jornada de Lutas" em defesa da reforma agrária e para lembrar o massacre de Eldorado de Carajás, no Pará - que deixou 21 mortos, em abril de 1996.

Nos Estados, a operação começou no sábado. Em Pernambuco, com a ocupação de fazenda em Gravatá - onde outras cinco propriedades foram ocupadas ontem. Em Salvador, cerca de 3 mil integrantes de quatro associações de sem-terra acamparam ontem diante da sede do Incra. Segundo o MST baiano, a ocupação não tem data para acabar.

Também ontem, cerca de 300 militantes ocuparam, de forma pacífica, a superintendência do Incra no centro do Rio. "No Rio, há cinco anos não há assentamento de nenhuma família ligada ao MST", disse a coordenadora Amanda Matheus. Parte das ruas de Curitiba também foi ocupada ontem por pelo menos 500 manifestantes.

Em São Paulo, no Pontal do Paranapanema, cerca de 600 sem-terra invadiram sábado, novamente, a fazenda São Domingos, em Sandovalina. A ação de reintegração de posse seria encaminhada à Justiça ontem. Grupo de quase 600 pessoas também ocupa desde sábado área próxima a uma fazenda em Bataiporã (MS). Os assentamentos no Estado estão parados desde 2010.

No Rio Grande do Sul houve invasões em Sarandi e Santa Margarida do Sul, além de protestos em Santana do Livramento e São Gabriel. Segundo o MST, houve também ações no Ceará, Maranhão, Paraíba, Rondônia, Mato Grosso, Minas, Rio Grande do Norte e Pará. / ALFREDO JUNQUEIRA, ANGELA LACERDA, CLARISSA THOMÉ, ELDER OGLIARI, EVANDRO FADEL, JOÃO NAVES DE OLIVEIRA, ROSANA DE CASSIA, SANDRO VILLAR e TIAGO DÉCIMO

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