MS tem problemas na votação com urnas biométricas

Parte dos eleitores em Fátima do Sul não foi identificada na leitura de impressão digital, provocando lentidão

João Naves de Oliveira, O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2008 | 18h19

Lentidão no registro dos votos e constrangimentos dos eleitores marcaram a estréia do sistema de leitura biométrica em Fátima do Sul (MS). Pelo menos 30% das pessoas que votaram até o início da tarde deste domingo, 5, não tiveram seus votos reconhecidos pelas urnas. Cada eleitor gastou em média 1 minuto e 40 segundos para votar, quando o tempo esperado era de 40 segundos. A juíza eleitoral da cidade, que fica a 243 quilômetros de Campo Grande, Ana Carolina Borges da Silva, disse que o problema não foi provocado "por falta de orientação".  Veja também: Confira as imagens da votação pelo Brasil Cobertura completa das eleições 2008 Eu prometo: Veja as promessas de campanha dos candidatos    Para o chefe do cartório eleitoral, Flávio Alexandre Martins Nichiku, a demora foi causada pelo não reconhecimento biométrico de alguns eleitores, que tiveram que voltar aos mesários e votar pelo sistema convencional. Nichiku explicou que desde o início do ano, quando foram recolhidas as impressões digitais dos dez dedos das mãos de cada votante, a textura da pele foi alterada, principalmente dos trabalhadores braçais.   O equipamento é bastante sensível, e qualquer alteração na pele compromete a leitura das digitais, mesmo contendo os traços de todos os dedos das mãos, conforme ocorreu com vários trabalhadores rurais - alguns deles com ferimentos em dois e até três dedos. O clima frio e chuvoso também colaborou no estreitamento das linhas digitais, impedindo o reconhecimento do eleitor.   As reclamações por parte dos eleitores foram ouvidas pelo chefe do cartório, que percorreu todas as urnas onde votam 14.038 pessoas. A votação biométrica mostrou muitas vantagens em relação às urnas comuns, entre elas evitar constrangimentos de analfabetos, que não precisaram mais colocar a impressão digital do polegar direito na ficha de votação diante dos mesários. Um eleitor apontou a vantagem, mas reclamou que as novas urnas descobriram outro tipo de exclusão: "a dos sem impressões digitais".

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