MP vai apurar relação de prefeito com Cachoeira

Procedimento criminal foi aberto para investigar negociações suspeitas entre Raul Filho (PT), chefe do Executivo municipal de Palmas, e o contraventor

LAILTON COSTA, ESPECIAL PARA O ESTADO / PALMAS, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2012 | 03h04

O procurador-geral de Justiça do Tocantins, Clenan Renault de Melo Pereira, instaurou ontem um procedimento de investigação criminal para apurar as relações do prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), e o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.

Raul Filho foi flagrado em vídeo apreendido durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, prometendo "oportunidades" a Cachoeira em troca de doações para a campanha de 2004. A apuração do Ministério Público será conduzida pelo próprio procurador-geral de Justiça, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado (Gaeco). O MP tem 30 dias para concluir a investigação.

O procurador-geral explica que o procedimento foi aberto para apurar as negociações suspeitas decorrentes do "relacionamento do prefeito Raul Filho e seu amigo, Sílvio Roberto, com Carlinhos Cachoeira e seus assessores" e correrá paralela à investigação do órgão que apura outra denúncia envolvendo a esposa do prefeito, a deputada estadual Solange Duailibe (PT).

Nesta outra investigação, o MP apura o depósito bancário de R$ 120 mil efetuados pelo esquema de Cachoeira na conta da ex-servidora Rosilda Rodrigues do Santos, que atuava no gabinete da esposa do prefeito. A conta era movimentada pelo ex-secretário municipal de governo e cunhado do prefeito Pedro Duailibe, exonerado do cargo após as denúncias do depósito.

"Nós estamos com esses procedimentos já em andamento e tomando as providências que o Ministério Público julgar convenientes. Vamos ouvir muita gente, o prefeito, os seus assessores ligados ao caso para que cheguemos a uma conclusão", disse Pereira, que vislumbra suposta conexão criminal entre todos os fatos. "Esse fato da Rosilda, do Pedro Duailibe, da Solange Duailibe, tudo envolve a Delta, a empresa. O negócio toma proporções maiores, mais profundos do que a gente pensava."

Promotor responsável pela parte cível, Adriano Neves avalia que os vídeos mostrados corroboram as denúncias da ação civil que tramita na 1.ª Vara da Fazenda Pública de Palmas. "Tudo o que foi mostrado nos vídeos comprova o que eu venho mostrando nas ações civis, o vínculo entre o prefeito de Palmas e a Delta, que resultou na fraude no processo licitatório que escolheu a Delta."

Desde 2009 o promotor questiona a contratação da empresa com sucessivos pedidos de anulação do contrato em liminares que foram negadas pela Justiça.

Depoimento. Procurado pelo Estado, o prefeito não atendeu à reportagem, mas por meio de sua assessoria afirmou que encaminharia ainda ontem um expediente ao presidente da CPI da Cachoeira, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), pedindo que seu depoimento à comissão seja antecipado.

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