Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

MP pede que PF investigue Arthur do Val por questionar Tatto sobre relação com PCC

Ao fazer a pergunta, Mamãe Falei pode ter cometido calúnia eleitoral, disse a promotoria; 'Não posso perguntar?', reagiu o candidato

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2020 | 14h28

O Ministério Público Eleitoral de São Paulo pediu à Polícia Federal que investigue o candidato do Patriota à Prefeitura, Arthur do Val - Mamãe Falei, por insinuar suposta relação do candidato do PT, Jilmar Tatto, com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao questionar o petista, Arthur pode ter cometido calúnia eleitoral, de acordo com a promotoria.

Durante o debate da ConecTV, Arthur afirmou que a família de Tatto "é líder de gastos durante a pandemia" e "gastou toneladas de dinheiro público para fazer sabe-se lá o quê". Ele não deu detalhes sobre os supostos gastos. "O senhor sabe de onde tirar recursos, se é que me entende", continuou Arthur, antes de fazer a pergunta: "Qual sua relação com o PCC?". Em resposta, o petista mandou Arthur "lavar a boca" antes de falar dele ou de sua família. "Tenha respeito. Meça suas palavras. Tenho orgulho de ter participado do governo da Marta e do Haddad. Não venha colocar suspeição na vida do outros."

No entendimento do promotor eleitoral Walfredo Cunha Campos, ao afirmar que a família de Tatto gastou dinheiro para fazer “sabe-se lá o que”, Arthur pode ter aparentado imputar o crime de peculato ao candidato do PT. Ele também afirma que a pergunta sobre "relação com o PCC" em tese também associa Tatto à organização criminosa. "Diante desse quadro em que há elementos informativos suficiente, é o caso de se instaurar o competente inquérito policial."

"Eu fiz uma pergunta. Eu não posso perguntar?", afirma o candidato do Patriota. "Se alguém pergunta minha relação com o PCC, eu respondo: 'nenhuma'. Se eu pergunto, o cara fica bravo e tenta me censurar. Ele é ligado a um deputado que tem relação com o PCC. Tem reunião que ele nunca conseguiu explicar."

O juiz Renato de Abreu Perine, da 2ª zona eleitoral de São Paulo, indeferiu ainda na terça um pedido da coligação do PT contra Arthur para que fossem excluídos conteúdos sobre o tema nas redes sociais de Arthur. "Veículos de notícia, no passado, divulgaram matérias que questionavam a relação do representante (Tatto) com parlamentar (Luiz Moura) que, supostamente, possuiria vínculo com a organização criminosa, daí porque indefiro o pedido”, disse o juiz.

Em 2014, o Estadão noticiou a abertura de uma investigação sobre elo entre perueiros e PCC. A suspeita era de que as vans estivessem em nome de laranjas para lavar dinheiro do crime organizado. Políticos do PT seriam ligados aos cooperados, entre eles o deputado estadual Luiz Moura, que participou de uma reunião que foi alvo de uma operação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) na sede da cooperativa de perueiros Transcooper. Moura tinha ligação com Tatto, então secretário municipal de Transportes.

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