MP de Goiás pede afastamento de prefeito

O Ministério Público de Goiás pediu ontem o afastamento do prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela (PMDB), por improbidade administrativa. Segundo o MP, ele é suspeito de favorecer a Delta, envolvida no esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira em contratos de limpeza urbana. Amigo de Cachoeira, Maguito foi padrinho de casamento do contraventor.

ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2012 | 03h03

Segundo o promotor Élvio Vicente, não houve concorrência na licitação e o gestor privilegiou duas empresas - a Delta e a Construtora Almeida Neves. "Com tal conduta omissiva e intencional aceitou, tolerou, facilitou e permitiu o benefício de número restrito de empresas." O prejuízo estimado é de R$ 26 milhões, sendo que R$ 14 milhões foram pagos à Delta. O objeto do contrato era a locação de caminhões com motoristas para a limpeza urbana. Para o promotor, o prefeito deveria ter aberto licitação para aquisição e não locação.

As investigações da Polícia Federal mostram que, ao lado de Cláudio Abreu, ex-diretor da Delta Construções no Centro Oeste, Cachoeira atuava para favorecer a empreiteira no Estado usando a sua rede de influência.

Os áudios indicam a proximidade do contraventor com o prefeito. Em 2008, quando ele venceu a eleição, Cachoeira comemora. "O Maguito foi eleito prefeito da segunda maior cidade de Goiás com 80% dos votos", diz ao aliado Mauro Sebben. Na mesma ligação, Cachoeira comenta que "ele ainda manda no banco" quando Sebben pergunta como Maguito poderia ajudar o grupo. Maguito foi vice presidente do Banco do Brasil.

Em uma escuta de 2011, Cachoeira fala sobre um projeto para a construção de um aeroporto em Aparecida. O prefeito teria procurado Demóstenes para mandar dinheiro - R$ 40 milhões - para o projeto.

O prefeito informou que não comenta os áudios das operações porque não há nada que o envolva. Afirmou que o contrato da Delta é legal e que a empresa venceu a concorrência pelo menor preço. Sobre o aeroporto, informou que o projeto será tocado pela iniciativa privada.

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