MP adota o Argus, que agiliza a quebra de sigilo

O Ministério Público de São Paulo firmou protocolo de cooperação com o Ministério Público Militar da União para implantação e acesso ao Argus, avançado programa de análise de dados e apoio à investigação bancária. Desenvolvida em 2011 pela Assessoria de Segurança da Informação e Centro de Apoio à Investigação do MP Militar, a ferramenta será instalada no Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro da promotoria paulista, que detém em todo o País o maior volume de ações contra agentes públicos por improbidade e corrupção.

O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2012 | 03h06

O Argus tem capacidade de compilar todas as informações de quebra de sigilo numa única consulta e realizar o cruzamento, contextualizando esses dados. Não é um programa de armazenamento de dados, mas de análise. Sete órgãos de investigação já firmaram convênio com o MP Militar para acesso ao Argus, como a Advocacia-Geral da União, a Polícia Federal e a Procuradoria da República. A Scotland Yard (SOCA - Agência Britânica de Combate ao Crime Organizado) demonstrou interesse no Argus (nome inspirado em Argos, um monstro da mitologia grega que tinha cem olhos e, mesmo dormindo, mantinha alguns deles abertos).

"O MP Militar vem firmando convênios com o intuito de tornar a ferramenta Argus ainda mais poderosa, onde os conveniados têm a função de testar, criticar e dar novas ideias para o sistema", destaca o MP Militar. "As informações são analisadas pela equipe de tecnologia do Centro de Apoio à Investigação e implementadas no sistema."

Gráficos. Através da sua plataforma visual, o Argus possibilita a identificação rápida de indicadores como volumes financeiros em cada conta, vínculo entre investigados e laranjas, recursos transferidos direta ou indiretamente entre suspeitos, distorções de padrão, origem e destino do dinheiro e quais as contas mais utilizadas e atipicidade do volume financeiro.

O Argus interpreta dados complexos através de gráficos navegáveis. As informações de interesse de analistas e promotores ficam mais evidentes e destacam-se no emaranhado de dados, reduzindo em até 80% o tempo gasto na investigação de quebra de sigilo. O equipamento pode mapear contas, apontando titulares e gerenciadores (bancos), fluxos anuais, mensais e diários por alvo ou por conta, detalhamento das operações bancárias - emissão de cheques, pagamentos e transferências.

O termo de parceria prevê que o Argus vai ficar alojado no Centro de Apoio Operacional às Execuções do MP de São Paulo. Terão acesso ao programa analistas que já trabalham com o Sistema de Investigação de Movimentações Bancárias (Simba), implantado na promotoria paulista no ano passado.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, define o Argus como poderoso instrumento de análise que torna mais ágil e descomplicado o trabalho de quebra de sigilo. "É um aplicativo que funciona com o Simba, o objetivo é agilizar a análise de informações bancárias." / FAUSTO MACEDO

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