Movimentação bancária deverá elucidar relação com esquema

A CPI do Cachoeira vai receber dados da quebra de sigilo do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, sem partido, GO), aprovada ontem, relativos às movimentações realizadas por ele desde janeiro de 2002. O objetivo é elucidar as relações do senador com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A suspeita é que Demóstenes teria recebido dinheiro do esquema ilegal comandado por Cachoeira a partir de Goiânia. O senador nega. O requerimento que motivou a quebra foi assinado pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR). Antes de receber os dados, no entanto, os parlamentares da CPI vão tentar ouvir hoje o depoimento do senador, mas ele deverá permanecer calado. Num documento entregue ontem à comissão, a defesa do parlamentar pediu que a oitiva fosse desmarcada e avisou que, se mantida, ele usará o direito constitucional de ficar em silêncio.

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 03h13

No requerimento, levado à tarde ao presidente da CPI, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), o advogado do senador, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, argumenta que Demóstenes já prestou os esclarecimentos necessários ao Conselho de Ética do Senado, em sessão anteontem. "Sendo assim, para que vir? Não vejo sentido. Se ele vier, vai permanecer calado", adiantou Kakay.

Transcrição. A defesa informou ter solicitado a transcrição das declarações do senador ao Conselho de Ética, que será entregue à CPI. Ontem, a comissão parlamentar não apreciou o pedido da defesa, o que, na prática, obriga Demóstenes a aparecer, mesmo que para não dizer nada, como ocorreu com a maioria dos depoentes.

Na avaliação de vários integrantes da CPI, a situação trará ainda mais desgaste para Demóstenes, alvo de processo de cassação e que ontem teve os sigilos bancário, fiscal e telefônico quebrados pelos parlamentares.

"Tal opção, assumida pelos defensores ora signatários, não se deve a nenhum receio ou preocupação por parte do senador em realizar o enfrentamento das questões que serão postas, até porque tal enfrentamento já foi exaustivamente realizado na tarde de ontem (anteontem)", frisou a defesa, em seu pedido.

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