Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Mourão diz que ideia de Paulo Guedes era reduzir impostos por algo similar à CPMF

General, que é vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL), disse que vai almoçar com o economista da campanha e perguntar sobre o projeto

Cristian Fávaro, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2018 | 18h55

SÃO PAULO - O general Hamilton Mourão (PRTB), vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida presidencial, afirmou que a ideia do economista Paulo Guedes para a CPFM seria reduzir a cesta de impostos. O general evitou fazer comentários mais profundos sobre a proposta de retomar o imposto. Questionado, Mourão não disse nem concordar ou discordar. "Eu julgo que a ideia talvez fosse reduzir uma cesta de impostos e trocá-la por um imposto similar à CPMF", disse, durante palestra promovida pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), nesta quinta-feira, 20, em São Paulo.

A proposta de Guedes vai contra o programa de Bolsonaro, que defende menos impostos. A fala criou um desconforto na equipe do candidato do PSL, que foi ao Twitter "desmentir" Guedes e afirmar que um eventual governo do PSL não elevaria impostos. "Eu julgo que ele (Guedes) reformulou essa questão e, de qualquer jeito, posso dizer que sábado vou almoçar com ele e vou perguntar para que ele me explique". 

O vice na chapa de Bolsonaro também foi questionado sobre sua visão acerca da autonomia do Banco Central que, segundo ele, deve ser independente. "Ele é o defensor da nossa moeda. Emprego e crescimento é fora do Banco Central. Essa é minha visão", disse. Mourão defendeu um câmbio que "corresponda àquilo que efetivamente está valendo nossa moeda" e disse que o governo não deve influenciar neste mercado. 

A proposta de Bolsonaro de criar um Ministério da Economia, que aborde diversas pastas atuais, foi confrontada por membros da Abimaq, que dizem temer uma redução do espaço da indústria neste eventual modelo. "Isso é uma proposta", remediou Mourão. "Por enquanto são linhas de ação que estão sendo traçadas. Obviamente, a gente sendo eleito, isso terá de ser decidido o mais breve possível. Contamos com a visão dos senhores para a melhor decisão", afirmou.

Mourão afirmou que sua base deve conseguir eleger entre 140 e 150 deputados "comprometidos com o nosso projeto". A afirmação veio em resposta à pergunta sobre como seria a governabilidade de um eventual governo de Jair Bolsonaro. "Queremos governar com a política com P maiúsculo. Não queremos esse governo de coalizão".  

O perfil de Bolsonaro no Twitter precisou reiterar o compromisso com a redução da carga tributária após notícia de que Guedes estuda um novo imposto nos moldes da antiga CPMF, pondo em xeque o discurso da campanha de menor carga tributária. Já Mourão se envolveu em polêmica por defender uma Constituição elaborada por não eleitos e a ideia de que filhos criados por mães e avós, sem a presença do pai, correm mais risco de entrarem para o tráfico

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