Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Mourão diz que é preciso 'relevar' fala de Bolsonaro: 'Quem vencer, venceu'

Candidato a presidente disse que poderia contestar o resultado das eleições se o voto não for impresso; vice disse que declaração é de 'um homem que quase morreu' e precisa ser relevada

Marcelo Osakabe, Gilberto Amendola e Augusto Decker, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2018 | 15h20

O general Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições 2018, declarou nesta segunda-feira que é preciso "relevar" as últimas declarações do capitão reformado de que poderia contestar o resultado das eleições se o voto não for impresso. Segundo Mourão, os comentários foram feitos por um homem que "praticamente morreu".

"Vocês têm que relevar um homem que quase morreu há uma semana, fez duas cirurgias. Vamos relevar o que ele disse", disse o general a jornalistas, após participar de um evento no Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP). Minha posição é o jogo é essa, vamos jogar e vencer no primeiro turno. Quem vencer, venceu. Só tenho pena do Brasil se o PT vencer", complementou.

Ao assumir um indisfarçável protagonismo em sua chapa, Mourão adotou um tom presidencial durante o discurso para empresários e representantes da construção civil. Em sua fala, Mourão citou apenas uma vez Bolsonaro, que continua internado no hospital Albert Einstein se recuperando da facada que tomou há duas semanas. “Bolsonaro é um estadista, não pensa apenas nesta eleição, mas sim nas próximas gerações”, declarou.Mourão descorreu sobre projetos de governo e visões de economia sem, em nenhum momento, ressaltar sua condição de vice na chapa. 

Apenas na entrevista aos jornalistas, realizada no final do evento,  Mourão afirmou que a decisão sobre substituir Bolsonaro nos debates e demais compromissos de campanha caberia ao próprio candidato. “O Candidato é o Bolsonaro. Sou o apêndice dele. Depende que ele aceite (a substituição nos debates ) e os demais candidatos também”, disse.  

Neste domingo, 16, Bolsonaro publicou um vídeo ao vivo na internet, direto do Hospital Albert Einstein, onde está internado. Nele, o candidato atacou as pesquisas de opinião que apontam sua derrota no segundo turno e o crescimento do petista Fernando Haddad.

Acamado, com aparência debilitada e chorando em vários trechos da transmissão, Bolsonaro levantou a possibilidade de haver fraude nas eleições de outubro para beneficiar o PT. “Essa possibilidade de fraude no segundo turno, talvez até no primeiro, é concreta”, afirmou Bolsonaro.

Também nesta segunda, o novo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, disse que as urnas eletrônicas brasileiras "são totalmente confiáveis". "As urnas eletrônicas são totalmente confiáveis. Os sistemas são abertos para auditagem, a todos os partidos políticos. Tem gente que acredita em Saci Pererê”, comentou.

Segundo a assessoria do PRTB, os advogados do partido fizeram uma consulta informal ao TSE sobre a possibilidade de Mourão participar de debates. Ainda segundo a assessoria do PRTB, a indicação foi a de que o partido procurasse as emissoras organizadoras de cada debate. Assim, a campanha definiu que um advogado do PSL (portanto do partido do Bolsonaro) será o responsável por participar dessas reuniões. 

No evento do Secovi, Mourão estava acompanhado pelo presidente do seu partido, Levy Fidelix; do candidato ao governo do PRTB, Rodrigo Tavares; e por outros assessores da legenda. O único rosto reconhecível do PSL era o do candidato ao Senado Major Olimpio. 

Mulambada. Em sua palestra, Mourão afirmou que a diplomacia “Sul-Sul” exercida durante os governos petistas aproximou o país de uma “mulambada”. Além disso, disse que famílias sem pai e avô em áreas pobres são “fábrica de elementos desajustados” e reclamou da forma como as forças policiais brasileiras são criticadas quando atuam “como polícia”.

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