Mourão afirma que não foi ‘feliz’ ao falar sobre intervenção militar

Para general, candidato a vice de Jair Bolsonaro nas eleições 2018, declaração sobre resposta à crise política era no caso de um cenário de ‘caos’ e gerou outras interpretações

Paula Reverbel e Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

05 Agosto 2018 | 21h51

A escolha do general Hamilton Mourão (PRTB) como vice na chapa do deputado Jair Bolsonaro (PSL) para a corrida presidencial nas eleições 2018 surpreendeu membros do PSL de São Paulo, que davam como certo que Luiz Philippe de Orleans e Bragança, membro da família real brasileira, seria confirmado na vaga.

Conhecido por suas declarações polêmicas, Mourão chegou a falar, em setembro, na possibilidade de intervenção militar no caso de as instituições do País não resolverem a crise política, “retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos”. Neste domingo, ele admitiu ao Estado que não foi “feliz na forma como disse isso” e que deu “margem para outras interpretações”.

A coligação com o PRTB teve efeito quase nulo em termos de tempo de TV no horário eleitoral: Bolsonaro passou de sete para oito segundos em cada bloco de 12 minutos e meio.

Durante a convenção que o confirmou como vice de Jair Bolsonaro, o general defendeu que o Poder Executivo tenha “relacionamento republicano” com os demais Poderes. “Ou seja, sem balcão de negócios”, declarou.

No fim do ano passado, Mourão foi destituído do cargo de secretário de Economia e Finanças do Comando do Exército depois de afirmar que o presidente Michel Temer faz do governo um “balcão de negócios” para se manter no poder.

Mudança na escolha para candidato a vice na chapa de Bolsonaro

Durante o período da manhã, na convenção estadual do PSL de São Paulo, que oficializou o nome deputado Major Olímpio para a disputa por uma cadeira no Senado, candidatos a deputado aguardavam a definição de Luiz Philippe como vice. Ele participou do ato no palco, sem discursar.

Uma falha nos microfones interrompeu o discurso de Bolsonaro, fazendo com que ele deixasse o evento. Antes, chegou a declarar, quando sua fala estava quase inaudível, que o vice seria anunciado na convenção do PRTB. Em seguida, o partido divulgou o nome de Mourão. A notícia tomou auxiliares de Major Olímpio de surpresa.

O próprio presidenciável havia dito, em entrevista à GloboNews na sexta-feira, que decidiria entre Luiz Philippe a advogada Janaina Paschoal. No sábado, Janaína descartou a possibilidade de compor a chapa.

Tanto o general como o presidente nacional do PRTB, Levy Fidelix, confirmaram ao Estado que a decisão foi tomada ontem mesmo. 

“O deputado Bolsonaro já havia conversado comigo há algum tempo sobre essa possibilidade”, afirmou Mourão. “Então ele tinha um leque de opções, ficou sondando. E hoje de manhã que ele teve que tomar essa decisão, acredito que premido pelas circunstâncias. Mas eu era desde sempre umas das opções dele”, acrescentou.

“Eu estava amadurecendo a vice, não tinha fechado com ninguém”, afirmou Bolsonaro, ao explicar que tinha vários nomes “no radar”. “Luiz Philippe estava, o astronauta estava, a Janaina estava”, disse. /COLABOROU MATEUS FAGUNDES

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