Mortes põem País em 99º na lista de imprensa segura

Brasil cai 41 pontos no ranking da ONG Repórteres Sem Fronteira após registro de três mortes de profissionais em 2011 e violência no Norte e Nordeste

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h07

A violência e a desproteção a jornalistas, principalmente no Norte e Nordeste do País, e a morte - em serviço - de três profissionais fizeram o Brasil cair 41 posições e ocupar o 99.º lugar no Ranking de Liberdade de Imprensa de 2011 divulgado ontem pela organização não governamental (ONG) Repórteres Sem Fronteira. Essa queda só foi superada, no continente, pela do Chile, que perdeu 47 postos, mas, ainda assim, está acima do Brasil (83.º lugar).

Baseado em pesquisas de 18 associações ligadas à imprensa e no testemunho de 150 jornalistas do mundo todo, o trabalho da RSF diverge, no caso brasileiro, de avaliações da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que contaram cinco mortes no País no ano passado, contra as três da ONG. A razão aparente é a exigência, por parte da RSF, de comprovação detalhada de que o profissional morreu, de fato, por causa de seu trabalho. Em dois casos eles consideraram as evidências insatisfatórias.

A RSF avaliou 179 países. Como de hábito, o topo é ocupado por nações do norte da Europa: Finlândia em primeiro, seguida de Noruega, Estônia, Holanda e Áustria. Nos últimos lugares a rotina também se repete: o Irã aparece em 175.º e abaixo dele vêm a Síria, o Turcomenistão, a Coreia do Norte e a Eritreia (em 179.º).

Segurança pessoal. Ao contrário de outras pesquisas, que analisam a liberdade de imprensa como um valor político e social em cada país e sua contribuição para a democracia, a RSF privilegia em seu trabalho a segurança pessoal dos repórteres na busca de informações. Isso cria distorções. Os Estados Unidos, por exemplo, aparecem apenas no 47.º lugar e a Inglaterra no 28.º - ambos atrás de países como a Namíbia (20.º) e o Suriname (22.º).

Cabo Verde ostenta, nesse modo de ver, um inédito 9.º lugar. A Argentina, onde o governo vem pressionando os grandes jornais, ficou onde estava. E quem procurar o Brasil, no 99.º posto, vai cruzar, antes, com Madagascar (85.º) e Albânia (96.º). Na apresentação dos resultados, o site da ONG elogia Cabo Verde e Namíbia, "dois países africanos onde nenhuma tentativa de obstrução ao trabalho foi relatada em 2011".

No caso dos Estados Unidos, a RSF denunciou o modo como a polícia tentou conter os protestos de grupos como o Ocupe Wall Street e outros semelhantes. "No espaço de dois meses, mais de 25 (repórteres) foram detidos e atacados pela polícia, acusados de comportamento inadequado, abusos e mesmo falta de credenciais." O Chile perdeu pontos, da mesma forma, pelos ataques da polícia contra jornalistas que cobriam os protestos estudantis contra o governo.

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