Morre testemunha-chave de crime contra jornalista

Ricardo Santos Silva, o Carioca, uma das testemunhas arroladas no processo de investigação do assassinato do jornalista Décio Sá, morreu anteontem em um hospital público na capital maranhense.

ERNESTO BATISTA / SÃO LUÍS , ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2013 | 02h01

Apontado como uma das principais testemunhas da trama que levou ao homicídio do jornalista, Carioca levou sete tiros de pistola calibre .380 em um atentado, com características de crime de encomenda, ocorrido em 3 de janeiro deste ano e vinha se recuperando na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Hospital Estadual Carlos Marcieira, para onde foi levado a pedido da família.

Carioca estava internado sob custódia policial desde então. Os familiares alegaram incapacidade de arcar com os custos do tratamento médico.

O secretário adjunto de Inteligência e Assuntos Estratégicos da Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, Laércio Costa, afirmou que a morte da testemunha trará prejuízos à investigação, porque ele poderia confirmar várias informações colhidas pela Polícia Civil maranhense.

'Arquivo vivo'. "Ele era um arquivo vivo, por isso sua morte foi encomendada", disse Costa.

Segundo as investigações da Polícia Civil maranhense, Carioca fazia parte da mesma organização criminosa que operava esquemas de jogo ilegal, agiotagem e pistolagem em que atuavam os mandantes do assassinato do jornalista Décio Sá, autor de um blog com seu nome.

O jornalista denunciou o esquema de agiotagem no Maranhão, o que teria provocado seu assassinado, segundo policiais que investigam o caso.

Décio estava num bar, aguardando amigos, quando foi executado com cinco tiros.

Outros crimes. Ricardo Silva Santos tinha várias pedidos de prisão, entre eles por participação em homicídios e assaltos na cidade de Duque da Caxias, no Rio de Janeiro e, no Maranhão, era acusado de participar, em 2009, do atentado contra Antônio Marcos Bezerra Miranda, prefeito de Bom Lugar, município distante 500 quilômetros de São Luís.

Jogo ilegal. Além destes crimes, Carioca ainda era suspeito de comandar algumas das principais casas de bingo clandestinas na capital maranhense e de financiar a produção de caça-níqueis, cuja a renda serviria para financiar homicídios encomendados.

Ricardo Silva deveria ter sido ouvido entre 28 e 30 de janeiro, mas o atentado contra ele, cometido por dois homens em uma moto num bairro nobre da capital e um pedido de liminar o impediram de contar o que sabia a Justiça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.