Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Morre o ex-governador da Bahia e ex-ministro da Defesa Waldir Pires

Um dos mais influentes políticos baianos, Pires governou o Estado após o regime militar e foi titular da CGU na gestão Lula

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

22 Junho 2018 | 11h03

SALVADOR - O ex-ministro da Defesa, da Previdência Social, da Controladoria Geral da União (CGU) e ex-governador da Bahia Waldir Pires morreu nesta sexta-feira, 22, em Salvador, aos 91 anos. A morte de um dos mais longevos e influentes políticos baianos ocorreu um dia após o ex-governador dar entrada no Hospital da Bahia com quadro de pneumonia.

Segundo o hospital, Pires teve uma parada cardiorrespiratória por volta das 10h e não respondeu às manobras de reanimação. O governador da Bahia, Rui Costa (PT), decretou luto oficial de cinco dias no Estado.

Costa definiu o ex-ministro como “exemplo de caráter e retidão”. “Com temperança e coragem, bem ao seu estilo, levaremos adiante seus ideais”, afirmou o governador, por meio da Secretaria de Comunicação.

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Executivo. Waldir Pires foi consultor-geral da República no governo de João Goulart e, após o golpe militar de 1964, acabou exilado no Uruguai e na França, voltando ao Brasil em 1970. Primeiro governador da Bahia eleito após o regime militar, ocupou o cargo entre 1987 e 1989. À época no PMDB (hoje MDB), Pires venceu a eleição contra o candidato apoiado por Antônio Carlos Magalhães, Josaphat Marinho (do então PFL), mesmo tendo o apoio de apenas 20 prefeitos. Dois anos depois, porém, Pires deixaria o Palácio de Ondina, sede do governo baiano, para ser candidato a vice-presidente da República na chapa encabeçada pelo também peemedebista Ulysses Guimarães.

Deputado federal pelo PDT e pelo PSDB, sempre na oposição a ACM na Bahia, tentou duas vezes uma vaga no Senado, sem sucesso. Em 2002, ocupou, a convite do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva – atualmente preso e condenado na Operação Lava Jato –, o cargo de ministro-chefe da CGU, onde ficou até 2006. Na sua gestão foram criados instrumentos de fiscalização como o Portal da Transparência.

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Em 2006, Waldir Pires assumiu o Ministério da Defesa, sendo substituído um ano depois por Nelson Jobim após os acidentes com os voos da Gol e da TAM, em setembro de 2006 e julho de 2007, respectivamente.

Waldir Pires costumava ser descrito como calmo e sereno por amigos próximos. Em sua longa trajetória política, também militou na campanha “O Petróleo é Nosso” em defesa da exploração por empresas nacionais. 

O ex-governador da Bahia e ex-ministro da Casa Civil Jaques Wagner (PT) disse, em nota, que “a trajetória de Waldir sempre foi pautada pelos valores éticos e democráticos que dignificam a política”. “Recebemos com muita tristeza a notícia do falecimento do grande democrata Waldir Pires. Mas seguiremos sempre orientados pelo seu exemplo, lucidez e valores inalterados.”

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Herdeiro do espólio político combatido por Waldir Pires, o prefeito de Salvador e presidente nacional do DEM, ACM Neto, também lamentou a morte do ex-ministro. “Estivemos em lados opostos, mas Waldir nos lega o exemplo de homem público que exerceu com serenidade o seu papel na política. É um personagem de relevância que escreveu seu nome na história de nosso país”, afirmou, em nota.

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O velório de Waldir Pires será realizado neste sábado, 23, a partir das 9h, no Mosteiro de São Bento, na região central de Salvador. No local também será realizada uma missa às 16h30. Em seguida, o corpo do ex-governador segue para o cemitério Jardim da Saudade, no bairro de Brotas. A cerimônia de cremação no domingo, 24, em horário a ser confirmado.

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