'Morder canela não é para humanos', diz FHC

Ex-presidente ironizou Lula, que prometeu 'morder a canela' de adversários para eleger Fernando Haddad

MARCELO PORTELA , BELO HORIZONTE , O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h01

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ironizou ontem a frase de seu sucessor Luiz Inácio Lula da Silva - que, ao falar de seu apoio ao candidato petista à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, prometeu "morder a canela dos adversários" para levá-lo à vitória. "Eu não sei morder canela. Não acho apropriado para um ser humano", disse FHC, após palestra a empresários do setor da construção, em Belo Horizonte (MG).

FHC falou também sobre a escolha do vice para o pré-candidato tucano, José Serra, advertindo que o PSDB deve avaliar com cuidado a viabilidade de uma chapa puro-sangue entre Serra e o ex-secretário de Cultura Andrea Matarazzo. "A questão não é só ganhar (a eleição)", afirmou. Há o "problema político" de ter maioria na Câmara. "Na democracia, não se governa sem apoio."

FHC afirmou ainda que Matarazzo "foi excelente secretário, mas o problema é político". "Dá para governar depois?", perguntou. Ele lembrou que, graças ao Plano Real, poderia ter concorrido à Presidência sem uma grande aliança e "eventualmente ganhar sozinho". "Eu não quis isso. Ganho e não governo. Na democracia, você não governa sem apoio."

FHC ressaltou, porém, que política é feita "no ferro quente" e, por não estar diretamente envolvido na campanha de Serra, não teria condições de avaliar a melhor possibilidade para a chapa. "Não conheço a situação concreta da Câmara e o cálculo que o (José) Serra e o Geraldo (Alckmin) estão fazendo para ver se dá para ir sozinho ou não. Não é só porque quer ou não quer (chapa puro-sangue)", observou.

Para 2014. FHC admitiu que, hoje, "não há muitos nomes" do PSDB em condições de disputar a Presidência em 2014. E confirmou a possibilidade de candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que "depende basicamente dele", embora precise "criar condições" para alavancar a própria candidatura. "Ninguém pode ser candidato de si mesmo", disse o ex-presidente.

E acrescentou: "O PSDB deverá ter um candidato. Não há muitos nomes. Não sei qual é a posição do governador de São Paulo, torço para que o Serra seja eleito, mas não sei como vai ser. São os nomes que estão aí, a não ser que apareça outro."

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