Monitoramento do Brasil é diferente do dos EUA, diz Dilma

Para presidente, não faz sentido comparar o caso dos diplomatas de Irã e Rússia no País com as ações da NSA americana

Elder Ogliari / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2013 | 02h16

A presidente Dilma Rousseff afirmou nessa quarta-feira, 6, que os agentes brasileiros "não cometeram nenhuma ilegalidade" ao monitorar, em 2003 e 2004, diplomatas da Rússia e do Irã - e que aquelas ações foram diferentes da espionagem praticada por funcionários do governo dos EUA que invadiram e-mails e captaram conversas telefônicas do governo brasileiro.

Em entrevista à rede gaúcha RBS, em Brasília, a presidente sustentou que a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) não violou privacidade: apenas acompanhou os movimentos de estrangeiros suspeitos de estarem interferindo em negócios brasileiros. "É previsto na legislação brasileira e não cometeram nenhuma ilegalidade", disse ela, fazendo coro com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. "Se cometessem ilegalidades, seríamos obrigados a afastar as pessoas envolvidas", acrescentou.

Dilma ressaltou, na entrevista, que a visita de Estado que faria em outubro aos Estados Unidos foi cancelada por causa da espionagem feita pela Agência Nacional de Segurança (NSA) e porque não houve um pedido formal de desculpas.

Sobre remarcar a viagem, Dilma evitou uma resposta direta: "A discussão que derivou dessas denúncias nos levou à seguinte proposta para os Estados Unidos: só tem um jeito de a gente resolver esse problema. É se desculpar pelo que aconteceu e dizer que não vai acontecer mais. Não foi possível chegar a esse termo", disse. E justificou: manter a reunião com o presidente Barack Obama poderia gerar desconforto em caso de novas denúncias. "Ninguém sabe o que o Snowden tem".

'Constrangido'. Dilma disse não acreditar que se possa atribuir a Obama a responsabilidade pelo cancelamento da viagem. "Acho que ele ficou bastante constrangido (...) Acredito que, como não é só com o Brasil, não seria possível um tratamento específico. Eles teriam que fazer o mesmo com todas as nações amigas".

Insistiu, na entrevista, que a espionagem de e-mails privados e ligações telefônicas não tem a justificativa de combate ao terrorismo porque foi feita em países considerados amigos. E considerou "inadmissível" aceitar a espionagem na Petrobrás.

Mesmo com a viagem desmarcada, destacou que as relações com os EUA permanecem inalteradas. "Não há interrupção de relações (...), mas não é possível que países amigos não levem em consideração que não é adequado espionar presidente".

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