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Moeda sem troca

Uma reforma ministerial só não faz verão. Ou dito de outra forma: como ferramenta para cimentar na base de apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff os partidos hoje aliados, uma reforma ministerial só não faz a obra, verão.

Dora Kramer, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2013 | 02h09

É claro que o manejo das pastas confere ao governo federal uma ferramenta. A motivação não é das melhores do ponto de vista do que seria, em tese, o objetivo de um governo: garantir bom desempenho administrativo no intuito de alcançar resultados para o público em geral.

A ideia desta como outras tantas ditas reformas ministeriais é a de acomodar melhor os partidos insatisfeitos, como o PMDB, e recompensar outros deixados em segundo plano quando a palavra de ordem era patrocinar a "faxina ética". Aí se incluem o PR e o grupo do PDT que perdeu espaço com a demissão de Carlos Lupi do Trabalho.

A finalidade evidente e assumida é a de agradar a cada um deles para tentar impedir a dispersão dos aliados daqui até a eleição de 2014.

Dados os padrões vigentes, a questão nem é o gesto, mas a sua eficácia nos termos do objetivo pretendido. A redistribuição de um ministério aqui, outro ali, não é garantia de coisa alguma em termos de alianças eleitorais. Nesses casos, atende-se a um grupo, às vezes os demais ficam insatisfeitos e não necessariamente se vai ao ponto.

Qual é o ponto, principalmente naquele aliado cujo peso em matéria de força regional e de tempo de televisão é mais significativo? É que na hora de a onça beber água, o PMDB vai mesmo é olhar para seus interesses locais, de onde se origina seu poder e influência.

Hoje são pelo menos dez os Estados em que os pemedebistas falam em "abrir" a relação com o PT. Questão de sobrevivência. Já estão vacinados contra a ilusão de que palanques duplos são tratados com igualdade pelo governo federal.

Não são: onde há dois candidatos e um é petista, este receberá todas as honrarias. Explícita ou implícitas. O acréscimo de uma ou outra pasta não altera a ordem os fatores. Dizem que está para ganhar a Aviação Civil. O que muda? De substancial, nada.

Já com candidatos próprios aos governos o partido tem a chance de eleger mais deputados federais e estaduais, que na eleição seguinte trabalham para eleger prefeitos, que dois anos depois sem empenham na eleição de deputados, vereadores e assim por diante.

Portanto, convém conferir importância relativa a reformas ministeriais. Diferente seria se visassem à melhoria do desempenho do governo como um todo.

Recibo. O deputado Marco Feliciano não enfraquece, antes fortalece as razões dos protestos contra sua presença na presidência da Comissão e Direitos Humanos da Câmara, ao convocar um ato de desagravo a si contra a reação do que qualifica como "a maior de todas as batalhas contra a família brasileira".

Dá prioridade à defesa de suas convicções religiosas e sinaliza tempos de enfrentamento nos trabalhos da comissão, pois nem bem assumiu aquela tribuna e já a usa para, a título de defesa, partir ao ataque.

Preparativos. Políticos aliados do governo federal com quem o governador Eduardo Campos tem conversado dizem que o principal atrativo dele é que representa uma alternativa no campo governista, permitindo a aproximação sem que necessariamente precisem se declarar em oposição ao Planalto.

Um sofisma, claro, mas como argumento é confortável.

Alguns desses interlocutores já viram o conteúdo de uma propaganda sobre o governo de Pernambuco a ser lançada em breve e atestam: a peça publicitária está cheia de mensagens de "futuro".

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