'Modo PMDB' de ser ganha adeptos no País

PSD segue pragmatismo de atuar 'em nome da governabilidade', enquanto PSB tenta assumir posto de parceiro preferencial do Planalto para 2014

CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

09 de julho de 2012 | 03h05

Mal falado entre aliados e adversários de sucessivos governos desde a redemocratização, o PMDB fez escola no Congresso. Nas palavras dos próprios peemedebistas, acostumados a dar "governabilidade" às mais variadas administrações desde 1985, os alunos já ameaçam os mestres.

A postura de compor com o governo de plantão e ser parceiro preferencial dos partidos que encabeçam a disputa pelo Palácio do Planalto ganhou mais adeptos. Na primeira vertente encaixa-se o PSD, que nasceu governista tanto em Estados sob comando petista como tucano.

Nas eleições municipais, a sigla que "não é nem de direita, nem de esquerda, nem de centro" - como definiu o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ao lançar o partido - tanto apoia José Serra (PSDB) na capital paulista, quanto prefeitos do PT na Grande São Paulo.

Já o PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, hoje trabalha em um projeto de poder para amanhã exercer papel semelhante ao do PMDB: o de parceiro prioritário do governo, com cacife para tomar o posto de vice na reeleição da presidente Dilma Rousseff, ou o de aliado de primeira classe no Congresso, com possibilidade de antecipar para 2014 o plano de lançar candidato próprio a presidente.

"Cheguei à conclusão de que nos censuravam porque estávamos ocupando o espaço que eles queriam", ironiza o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que adverte os críticos do PMDB a "não cuspir no prato em que ainda não comeram".

"O PMDB sempre aderiu em nome da governabilidade e está pagando um preço alto por isso", afirma o vice-líder do partido na Câmara, Lúcio Vieira Lima (BA). Para o deputado, os críticos do "pragmatismo" do PMDB seguem e até aprimoram a cartilha. "Os outros partidos estão tirando a máscara. Hoje o PT é muito mais pragmático que o PMDB, até porque são eles que, no governo, têm instrumentos para praticar o pragmatismo."

Supremo. O presidente do DEM, José Agripino (RN) - um dos poucos fundadores do PFL que resistiram na oposição e não migraram para o PSD - culpa o PT pela política do "vale quanto pesa", uma prática da qual, segundo o senador, os aliados do governo aprenderam a tirar proveito. Exemplo concreto disso foi a exigência do deputado Paulo Maluf (PP-SP) de sair na foto ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para selar o apoio - e o tempo de 1min26s na propaganda eleitoral - ao petista Fernando Haddad, apesar dos constrangimentos da cena.

Além do poder de ajudar ou prejudicar o governo em votações no Congresso, o tempo de televisão tornou-se uma das armas mais valiosas no jogo parlamentar. Com a decisão do Supremo Tribunal Federal que deu ao PSD maior cota de TV e do fundo partidário, hoje qualquer grupo de 25 deputados insatisfeitos em suas siglas pode criar um novo partido e negociar cargos e apoio em troca de 1 minuto no horário eleitoral gratuito.

"O sentimento partidário foi duramente atingido pela manobra de criação do PSD. Insatisfações que antes eram superadas passam a alimentar o sentimento de que vale a pena arriscar uma nova sigla, em nome do tempo de televisão, do fundo partidário e das facilidades oferecidas pelo governo", disse Agripino.

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