Modelo desperdiça duelo olho no olho

Tenso. Se há um adjetivo para definir o embate - mais que debate - de ontem entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, esse seria o mais adequado. A arena, agora ocupada por apenas dois adversários, já não permite a diluição de foco com piadinhas, alfinetadas ou proposições de candidatos nanicos dispostos a levantar a bola para os estrelados cortarem.

O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2012 | 08h37

A sós, Fernando Haddad e José Serra desfilaram entonações notadamente ensaiadas, com ênfase em vocábulos igualmente selecionados previamente. Serra se esmerou em martelar a pronúncia de termos como "PT", "José Dirceu" e "Marta Suplicy" - quando não disse "Martaxa". Haddad buscou respaldo em "Kassab".

A preparação para cada round da luta faz parte do show dos marqueteiros, que visitam os candidatos a cada intervalo para reabastecê-los de orientações e cada vez impõem mais restrições às emissoras de TV na hora de combinar o modelo de encontros como este. No de ontem, não houve pergunta de mediador ou de jornalista, só questões de candidato para candidato. Poderíamos experimentar a um diálogo olho no olho? Nem pensar. Nem sequer era possível ver as feições de um enquanto o outro falava. A mira de cada um estava unicamente na câmera que se acendia à sua frente. Afinal, com quem eles estão debatendo, com o telespectador?

A audiência respondeu com 5 pontos de média e 6 de pico, segundo a prévia do Ibope na Grande São Paulo. Similar à audiência do programa CQC, é um bom patamar para os padrões da Band - cada ponto equivale a 60 mil domicílios na região.

O cenário, de fundo azul, e a ausência de movimentação de câmeras conspirou a favor de um programa monótono, embora a produção tenha se esforçado em demonstrar, no início de cada bloco, que as regras de um diferiam das regras do bloco anterior. A olho nu, todos os blocos foram iguais.

O comportamento indócil da torcida, perdão, da plateia, composta por aliados dos candidatos, deu algum tempero à ocasião. Diante de aplausos e discretas vaias, lá estava o mediador a recitar: "Eu pediria à plateia que não se manifeste". Boris Casoy não foi 100% atendido, mas tentou. Acaso ou não, a cada intervalo, assim que ele anunciava o fim do bloco, a Band exibia chamadas do "Jornal do Boris", paródia do Pânico ao jornalista.

Nada como um break para aliviar a tensão.

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