Miro Teixeira diz que comissão de inquérito tem 'tropa do cheque'

Pedetista indignou-se com blindagem a Cavendish; Ciro Nogueira confirmou que ele e dois deputados almoçaram com empresário em Paris

EUGENIA LOPES , RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2012 | 03h06

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) levantou ontem a suspeita, durante a reunião da CPI do Cachoeira, de que haveria uma "tropa do cheque" na comissão interessada em evitar a convocação do principal acionista da Delta, Fernando Cavendish. Durante a sessão, o pedetista ainda lançou outro rumor: o de que parlamentares da CPI teriam almoçado com Cavendish, em Paris, na Semana Santa.

Segundo Miro, esses parlamentares teriam ido numa missão oficial do Congresso a Uganda, na África, entre os dias 29 de março e 9 de abril. O site da Câmara aponta que cinco parlamentares estiveram nessa missão. Desses, dois integram a CPI do Cachoeira: o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O senador confirmou o encontro, mas disse ter sido casual. Ele afirmou que Quintela e também o corregedor-geral da Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), estavam no restaurante L'Avenue, onde teria ocorrido o encontro fortuito.

Quintella não respondeu às ligações do Estado para confirmar se teve ou não um encontro com o empresário.

Durante a sessão da CPI, Ciro Nogueira foi um dos parlamentares que defendeu o adiamento da convocação de Cavendish sob a alegação de que a CPI precisava se preparar para questionar o dono da Delta - que se afastou do comando da empresa. A alegtação é que a comissão precisava se preparar para argui-lo. Após confirmar o encontro, porém, Ciro Nogueira criticou o fato de Miro ter feito a denúncia depois quando ele já não estava presente. O senador disse que agora é favorável à convocação de Cavendish.

O deputado Maurício Quintella não votou; foi substituído pelo seu suplente Ronaldo Fonseca (PR-DF), que também foi contra a convocação de Cavendish.

'Bezerro de ouro'. Logo após o relator da CPI, deputado Odair Cunha (PT-MG), ter recomendado o adiamento da votação da convocação de Cavendish, Miro disse não ser possível defender que não se convocasse o dono da Delta.

Para o deputado, "seria como justificar a adoração ao bezerro de ouro, seria como dar razão aos que já começam a fazer charges falando de uma tropa de cheque para defender o Cavendish". E completou: "E quem é o Cavendish? É o presidente da empresa que se deixou gravar dizendo que conseguiria obras por trinta milhões (de reais), que não estava interessado em comprar esses politiquinhos pequenos, não, porque ele comprava os grandes. Senadores? Seis milhões. Mas com trinta ele consegue qualquer obra".

Miro propôs aprovar a convocação de Cavendish, mas só marcar a vinda dele à CPI no momento oportuno. Mas, 14 parlamentares votaram contra o pedido de se votar a convocação imediata. Oito foram favoráveis e seis se abstiveram.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) reagiu ao que chamou de "acusações genéricas". "Se Vossa Excelência acha que há um deputado que é da bancada do cheque, vire para o deputado e diga: é fulano", afirmou, sob palmas na comissão. "Eu não sou da bancada do cheque, não sou!" Os dois bateram boca e parlamentares da oposição e os independentes a ameaçarem deixar a reunião.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.