Ministros discordam da tática de mandar prender a conta-gotas

Joaquim Barbosa é alvo no Supremo da censura de colegas que enxergam como tortuoso o itinerário definido por ele na execução das penas do mensalão. Elas começaram no dia 15 de novembro para apenas parte dos condenados, que foi levada a Brasília de avião da Polícia Federal. Entre os presos estava José Genoino. Com histórico de problemas cardíacos, ele passou mal e só então obteve autorização de ficar temporariamente em prisão domiciliar, mas em Brasília, não em São Paulo onde o ex-presidente do PT morava com a família. Outro condenado com problemas de saúde, Roberto Jefferson permanece solto.

BASTIDORES: Felipe Recondo, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2014 | 02h03

Após a primeira leva, as prisões foram decretadas a conta-gotas. Um colega atribui a estratégia simplesmente a algo arbitrário. Outro diz que o fatiamento seria uma forma de manter o caso nos jornais.

No início do mês, Barbosa negou um recurso da defesa do deputado João Paulo Cunha e certificou o trânsito em julgado do processo. O próximo passo seria assinar o mandado de prisão. Porém, Barbosa saiu de férias sem assinar o documento. Por isso, foi novamente criticado pelos colegas.

Cármen Lúcia assumiu a presidência da Corte, mas não assinou o mandado. Ela entendeu que somente Barbosa poderia determinar a prisão de João Paulo. E se Barbosa, como relator do julgamento do mensalão, não considerou o caso do deputado urgente a ponto de adiar suas férias, por que os outros ministros assim o fariam?

A mesma linha segue o atual presidente interino da Corte, o ministro Ricardo Lewandowski, revisor do julgamento do mensalão que protagonizou, durante o ano passado, uma série de embates com Barbosa no plenário do Supremo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.