Ministros debatem se beijo condena ou inocenta um réu

O ato de mandar beijos ao encerrar um e-mail virou tema central na argumentação dos ministros do STF para absolver ou condenar Geiza Dias, ex-funcionária da SMPB. A saudação era usada frequentemente, por ela, nas ordens do Banco Rural para os saques milionários do esquema do mensalão. Para alguns magistrados, a conduta mostra que a ré não teria conhecimento da gravidade do crime. Para outros, seria justamente o contrário.

O Estado de S.Paulo

14 de setembro de 2012 | 10h14

O primeiro a citar os beijos de Geiza foi o revisor, Ricardo Lewandowski, que defendeu sua absolvição: "Será que alguém que está fazendo lavagem de dinheiro, que tem um esquema criminoso por trás de suas ações, vai agir de forma tão desabrida e transparente?".

O argumento foi retomado por Rosa Weber e Dias Toffoli, ontem, para absolver. Este até recorreu à Bíblia: "Só conheço uma pessoa condenada por um beijo: Jesus Cristo. Mandar beijo não é motivo para condenar". Para Luiz Fux, porém, os e-mails ajudaram a condenar. Ele mencionou outro depoimento em que o envolvido dizia temer um infarto, tamanha a pressão a que estava submetido. "Quem tem infarto não manda beijo e quem manda beijo não tem infarto", afirmou. / E. B e M. G.

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