Ministros de Dilma 'fritam' à espera da reforma ministerial

Pelo menos três titulares da Esplanada devem ser substituídos, mas presidente fica em silêncio

DÉBORA BERGAMASCO, BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de março de 2013 | 04h24

A presidente Dilma Rousseff repete mais uma vez seu estilo próprio de conduzir as demissões de seus ministros: enquanto partidos aspirantes a vagas fervilham o noticiário com boatos sobre demissões, ela deixa seus ministros à míngua de informações que indiquem se caem ou se permanecem no cargo.

O clima de incertezas resulta no desgaste público do gestor, que perde a confiança até da própria equipe e, com imagem "esturricada" pelas especulações, termina por ser chamado no Palácio do Planalto e convidado a deixar a pasta.

Atualmente, há ao menos três ministros sendo sapecados na frigideira da presidente: Brizola Neto (Trabalho), Wagner Bittencourt (Secretaria de Aviação Civil) e Paulo Sérgio Passos (Transportes). Mendes Ribeiro (Agricultura) e Wellington Moreira Franco (Secretaria de Assuntos Estratégicos) podem ser transferidos de seus para outros gabinetes para melhor acomodar as reivindicações da base aliada, que pressiona o governo por cargos em troca de apoio na eleição presidencial do ano que vem.

Apesar de as substituições serem dadas como certa, até agora nenhum deles foi chamado pela chefe para desmentir ou confirmar os rumores de demissão.

Mendes Ribeiro deve mesmo voltar à Câmara dos Deputados, a despeito de seus problemas de saúde. Aposta-se que o deputado federal Antônio Andrade, do PMDB mineiro, deva substituí-lo na Agricultura.

Autores. Mesmo diante da tensão e do silêncio da chefia, Brizola Neto diz não esperar uma satisfação por parte de Dilma, "já que os boatos não partem dela".

O pedetista, considerado cota pessoal da presidente, está sob fogo amigo de seu PDT, de olho em sua vaga para indicar um nome mais alinhado ao ex-ministro Carlos Lupi, afastado do cargo por suspeitas de envolvimento com corrupção.

Para se defender, Brizola Neto argumenta: "Não sou ministro, estou ministro". Para a vaga dele, acredita-se na nomeação de Manoel Dias, secretário-geral da legenda.

Despachos. Enquanto vê sua força política se desintegrar diante do público sem nenhum gesto do governo que alivie as dúvidas, o ministro Wagner Bittencourt se relaciona com a presidente como se voasse em céu de brigadeiro, despachando com ela no Palácio do Planalto.

Na segunda-feira de manhã, foi convocado para reuniões, recebeu novas tarefas e traçou planos para impulsionar a competitividade do setor aéreo. Nenhuma palavra foi dita sobre a eventual substituição de Bittencourt pelo peemedebista Moreira Franco. Como já não pode mais tranquilizar sua equipe nem a ele próprio, repete aos mais próximos: "O cargo é dela e fico nele até quando ela quiser".

Admite-se no Palácio do Planalto que a reforma ministerial está prestes a sair. O silêncio da presidente se justifica, segundo auxiliares, pelo fato de ela ainda não ter se decidido sobre todos os movimentos a se fazer e não pela adoção de um estilo calculadamente de "fritura".

Know-how. Mas quem já passou pela panela da presidente Dilma Rousseff não se esquece. O atual deputado federal Luiz Sérgio (PT-RJ) passou meses sendo criticado pelo rendimento insatisfatório à frente da Secretaria de Relações Institucionais, responsável pela coordenação política do governo, e vivia sob forte boataria de que seria substituído.

Sem saber do futuro, tocou a vida, saiu de férias, mas teve de interromper o descanso para ser avisado que seria transferido para a Secretaria da Pesca - de onde foi demitido no ano passado, para acomodar Marcelo Crivella.

Com a ex-titular da Cultura Anna de Holanda não foi diferente. Ela foi a última a ser informada de que seria substituída pela senadora Marta Suplicy (PT-SP), em pagamento ao apoio dado pela paulistana ao então candidato à Prefeitura de São Paulo Fernando Haddad.

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