Ministro que ajudou mãe e irmã emprega 2 primos

Aguinaldo Ribeiro contratou parentes como assessores em seu gabinete na Câmara; regra antinepotismo não alcança esses casos

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2012 | 03h05

Além de destinar emendas para Campina Grande (PB), município em que a irmã é pré-candidata a prefeito, e de pedir prioridade em repasses para a Prefeitura de Pilar, governada pela mãe, o novo ministro das Cidades, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), emprega no gabinete na Câmara pelo menos dois primos.

O engenheiro Roberto Ribeiro Cabral foi nomeado em 15 de junho de 2011 para exercer o cargo de secretário parlamentar de Aguinaldo. Ele é filho de Maria Nivanda Ribeiro Cabral, irmã já morta do ex-deputado Enivaldo Ribeiro (PP), pai de Aguinaldo. Questionada pelo Estado, a assessoria do novo ministro admitiu que uma outra prima - Alina Ribeiro Barboza Gaudêncio - também está lotada no gabinete.

Alina foi nomeada secretária parlamentar 08 pelo deputado em 18 de março. Ela é servidora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 13.ª Região, na Paraíba, e foi requisitada a pedido de Ribeiro. O salário do tribunal continua a ser pago e a Câmara o complementa em R$ 661,18.

O ato de nomeação de Roberto, que ocupa cargo igual ao de Alina, é de 15 de junho.Funcionário da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ele também continua recebendo pelo órgão de origem, assim como a mesma complementação paga à colega de gabinete.

Morador de Campina Grande, principal reduto eleitoral do ministro, o engenheiro não exerce suas funções na Casa. Uma filha do assessor disse à reportagem que o pai não trabalha em Brasília. "Quando ele vai, fica na casa de Enivaldo (Ribeiro)", explicou.

Campanha. Os dois primos empregados na Câmara são financiadores dos políticos da família. Em novembro de 2010, quatro meses antes de ser contratada pelo gabinete do deputado, Alina deu a quarta maior contribuição de campanha para o então candidato: R$ 24 mil.

Dono de uma construtora em Campina Grande, Roberto contribuiu com R$ 6 mil para Aguinaldo e R$ 3 mil para a irmã, Daniella Ribeiro (PP), eleita deputada estadual na Paraíba. Procurado ontem pelo Estado, o engenheiro não deu detalhes de suas funções no gabinete do primo. Ele disse estar em uma reunião e desligou o telefone.

O deputado alegou, por meio de sua assessoria, que não há irregularidade na requisição dos parentes. A Súmula do Supremo Tribunal Federal (STF) que proíbe o nepotismo (empregar familiares na administração pública) não alcança primos. A regra veda a contratação até o terceiro grau de parentesco, mas eles são considerados de quarto grau.

Eleito para o primeiro mandato em 2010, Ribeiro tem feito gestões em favor da família, como revelou o Estado. Das emendas apresentadas ao Orçamento de 2012, três, no valor total de R$ 780 mil, foram destinadas para Campina Grande, onde Daniella é pré-candidata à prefeitura.

Duas delas visam a destinar R$ 450 mil para dois hospitais da cidade. A terceira, de R$ 330 mil, é para a aquisição de equipamentos para a Universidade Federal de Campina Grande, um dos nichos de campanha da irmã, que é professora universitária.

Numa indicação enviada ao então ministro Mário Negromonte (PP-BA), desalojado do Ministério das Cidades anteontem por denúncias de irregularidades, Aguinaldo pediu ao colega de partido para turbinar as verbas do Minha Casa, Minha Vida em Pilar, cidade governada pela mãe, Virgínia Maria Veloso Borges (PP), como revelou o portal estadão.com.br. "Com o incremento do Minha Casa, Minha Vida no município de Pilar, diversas famílias de baixa renda dessa região conseguirão realizar o sonho de ter a casa própria", justificou.

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