Ministro Pimentel terá de se explicar à Comissão de Ética

Em uma votação apertada, a Comissão de Ética Pública da Presidência decidiu ontem aprofundar a investigação e pedir informações ao ministro Fernando Pimentel (Desenvolvimento) sobre os negócios de sua empresa de consultoria. O caso volta a atormentar o Palácio do Planalto, logo no momento em que o governo enfrenta uma das maiores crises na relação com a base.

RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2012 | 07h40

"Sem fazer nenhum juízo de mérito por ora sobre as acusações, resolvemos dar a oportunidade de o ministro se manifestar para que então possamos ajuizar se existe essa situação excepcional em que se justificaria a abertura de um processo, embora os fatos veiculados sejam todos eles anteriores à sua posse no ministério", disse o presidente da Comissão, Sepúlveda Pertence. Pimentel terá dez dias para prestar esclarecimentos.

Votaram a favor do prosseguimento do caso os conselheiros Fábio Coutinho (relator do parecer), Marília Muricy e Pertence. Pelo arquivamento, se posicionaram Roberto Caldas, José Ernanne Pinheiro e Américo Lacombe - o sétimo conselheiro, Humberto Gomes, está de licença médica e não participou. O voto de Minerva foi dado por Pertence.

Em nota, o ministério informou que Pimentel "está à disposição para prestar os esclarecimentos que venham a ser solicitados pela comissão sobre os serviços prestados como economista entre 2009 e 2010, período em que não exercia função pública".

De acordo com a pasta, o ministro aguarda o comunicado oficial do resultado da reunião. Pimentel é um dos interlocutores e amigos mais próximos da presidente Dilma Rousseff - os dois estão em viagem pela Índia e só devem retornar ao País no domingo.

"Embora correto o voto do conselheiro Roberto Caldas de que, em linha de princípio, atos anteriores à investidura do ministério não são da competência da comissão, alude o próprio voto a situações excepcionalíssimas em que atos anteriores possam comprometer a autoridade e exigir providência da comissão", justificou Pertence.

Pimentel é alvo de denúncias de que sua empresa, a P-21 Consultoria e Projetos, teria faturado mais de R$ 2 milhões com consultorias entre 2009 e 2010, o que levantou suspeitas de tráfico de influência.

A comissão ainda decidiu pedir informações à ministra da Cultura, Ana de Hollanda, após o Correio Braziliense revelar que ela recebeu camisas da escola de samba Império Serrano durante o carnaval deste ano - escola cuja inadimplência o próprio ministério havia zerado meses antes.

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