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Ministro Osmar Terra chama doações eleitorais de beneficiários do Bolsa Família de 'escândalo'

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 16 mil cadastrados no programa doaram aproximadamente R$ 16 milhões até a última segunda-feira, 19

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2016 | 14h04

BRASÍLIA - O Ministro do Desenvolvimento Social e Agrário, Osmar Terra, disse que a doação de beneficiários do Bolsa Família para candidatos às eleições municipais é um "escândalo". Segundo ele, foi constatado que milhares de doações eleitorais são oriundas de pessoas que "precisam do programa para comer". Terra e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, divulgaram nesta quinta-feira, 22, que cerca de 16 mil cadastrados no programa doaram aproximadamente R$ 16 milhões até a última segunda-feira, 19.

No valor total de R$ 15.970.436,40, analisado pelo Tribunal de Contas da União, foram consideradas doações em dinheiro e também doações estimadas, que podem ser feitas através de prestação de serviços para a campanha ou doação de materiais. O valor mais alto de doação de um beneficiário do programa foi de R$ 67 mil. O ministro e o presidente do TSE disseram que vão aguardar o resultado das investigações para divulgar os nomes e os partidos dos envolvidos, pois trabalham com a hipótese de terem havido enganos em alguns registros.

Terra considera que muitos dos beneficiários podem não ter conhecimento de que tiveram os seus dados utilizados para doações. "Não sabemos se essas pessoas vão ser desligadas do Bolsa Família, porque às vezes estão usando o CPF da pessoa e ela nem sabe. Mas nós vamos fazer uma investigação caso a caso e, se for constatada uma irregularidade, a pessoa vai ser desligada", disse. Com as investigações, que devem durar até depois das eleições municipais, o ministro disse que será possível verificar as pessoas que não cumprem os requisitos do programa.

Para ele, havia um "controle limitado" dos dados do programa e a parceria com o TSE "dá uma visão maior das possibilidades de desvios". "Essa apuração do TSE está nos dando informações e esse outro lado, essa dimensão que a gente não tinha ainda", avaliou. As investigações serão feitas pelo ministério e pelos municípios, onde são feitos os cadastros. "O recadastramento já é feito regularmente, a cada dois anos, mas estamos fazendo agora uma modificação para fazer um prazo mais curto de recadastramento", declarou Terra.

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