Ministro nega que tenha sido chantageado; instituto não comenta

Gilberto Carvalho e Silvio Pereira afirmam que relato é falso; assessores de Lula não se pronunciam

O Estado de S.Paulo

03 de novembro de 2012 | 02h04

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, negou ontem ter sido vítima de chantagem de pessoas que ameaçavam revelar seu suposto envolvimento com o esquema de desvio de verbas públicas da prefeitura de Santo André na gestão do prefeito Celso Daniel.

O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira também negou que o empresário Marcos Valério o tenha procurado para levantar o dinheiro necessário a fim de "calar" o empresário Ronan Maria Pinto, que seria o responsável pela ameaça de ligar Lula e Carvalho ao esquema de propinas no município do Grande ABC.

Segundo a revista Veja desta semana, o encontro entre Valério e Pereira ocorreu em 2003, um ano depois do assassinato de Celso Daniel. Nesse encontro, o petista teria pedido dinheiro para evitar que Ronan fosse a público dizer que Lula e Carvalho eram beneficiários do dinheiro desviado da prefeitura de Santo André.

O Instituto Lula não quis comentar o caso ontem. Os assessores do ex-presidente afirmaram que desconhecem o conteúdo do novo depoimento de Valério à Procuradoria-Geral.

Sem relação. "O ministro nunca teve qualquer contato com o sr. Marcos Valério, nem pessoalmente, nem por e-mail, telefone ou qualquer outro meio", afirmou a Secretaria-Geral da Presidência por meio de nota oficial.

A pasta informou que Carvalho "nunca teve conhecimento de qualquer ameaça ou chantagem" feita por pessoas que teriam informações a respeito de seu suposto envolvimento em pedidos de propinas durante a administração de Celso Daniel.

O ministro foi secretário municipal em Santo André de 1997 a 2001.E sempre negou a existência do esquema de pagamento de propina a empresários.

O Ministério Público afirma que Daniel foi assassinado em janeiro de 2002 porque queria acabar com o desvio de verbas. A Polícia Civil, porém, sustenta que o ele foi vítima de crime comum.

Silvio Pereira negou a existência do encontro com Valério e do pedido de ajuda para atender ao achaque de Ronan. Segundo o advogado Gustavo Badaró, defensor de Pereira no processo do mensalão - no qual o petista fez acordo para livrar-se do processo ao prestar 750 horas de serviços comunitários -, ele afirmou que as acusações de Valério são fantasiosas. "Ele (Pereira) negou peremptoriamente e me pareceu tranquilo", disse Badaró, que fez contato telefônico com seu cliente. "Ele disse: 'Isso nunca existiu, é uma fantasia. Absolutamente desconheço tudo isso'."

O empresário Ronan Maria Pinto, disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que nunca esteve com Valério: "Isto é um absurdo".

O criminalista Roberto Podval nega o envolvimento de Sérgio Gomes, o Sombra, na morte de Celso Daniel. Podval questiona no Supremo Tribunal Federal o poder de investigação criminal do Ministério Público. BRUNO BOGHOSSIAN e FELIPE FRAZÃO

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