Ministro nega ação política contra Suape

Carvalho afirma que cobrança feita à administração do porto pernambucano é legal e que governo não fará perseguições a adversários

BEATRIZ BULLA , ISADORA PERON, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2013 | 02h06

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, negou ontem haver conotação política na cobrança de R$ 13,8 milhões que o governo federal faz ao porto de Suape, administrado pelo Estado de Pernambuco, sob o comando de Eduardo Campos (PSB). "Não esperem nunca de nós nenhum ato persecutório ou discriminatório em relação a outro candidato", afirmou Carvalho, durante evento em São Paulo.

Setores de controle do Palácio do Planalto apontam problemas no uso de dinheiro federal em obras do porto pernambucano no início de 2011. A cobrança da devolução do dinheiro, porém, ocorreu só agora, neste mês de outubro, após Campos deixar a base de sustentação da presidente Dilma Rousseff e entregar os cargos que o PSB ocupava em Brasília, conforme revelou o Estado. "Seria muito pequeno qualquer ato de persecução ao Eduardo", disse Carvalho.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência ressaltou que o processo em relação a Suape precisou ser analisado pelo Tribunal de Contas da União e pela Controladoria-Geral da União antes que o governo tomasse providências.

Os órgãos de controle federais apontaram haver sobrepreço em uma obra de dragagem no porto na qual o governo federal tinha participação. Primeiro, o valor apontado foi de R$ 42 milhões. Ao fim, chegou-se ao número de R$ 13,8 milhões.

Também em São Paulo ontem, Campos não quis entrar em polêmica. "Nós mantivemos reuniões com o governo federal sobre esse tema semana passada. Hoje (ontem) eu já falei com o ministro dos Portos, Antonio Henrique. E nós vamos buscar fazer esse debate da forma mais transparente possível, para que fique exatamente consignada a posição de extrema responsabilidade em torno de tudo que fez", afirmou o governador de Pernambuco.

"Nós vamos fazer a resposta administrativa que nos cabe fazer. Nós vamos responder a tudo e vamos pedir a revisão dessa posição. Nós temos 30 dias para isso, de acordo com a lei, e vamos fazê-lo. Não há nenhuma decisão de qualquer órgão de controle externo que coloque qualquer questão em relação à prestação de contas por parte do porto. Então vamos esclarecer isso, dentro do maior rigor da lei, na instância administrativa que ainda cabe ser cumprida", completou.

Pesquisa. Na mesma entrevista em que respondeu a questões envolvendo o porto de Suape, Carvalho disse ter ficado contente com o bom resultado do desempenho de Dilma Rousseff na pesquisa Ibope divulgada anteontem. No levantamento, a presidente seria reeleita no 1.º turno em três dos quatro cenários apresentados aos entrevistados. "Nosso foco, e agora de manhã vim (de Brasília para São Paulo) com a presidente, estávamos comentando, tem que ser a entrega. O terceiro ano de governo é o melhor tempo do ponto de vista de entregar as realizações", disse o ministro. "É bobagem a gente falar que quando sai pesquisa boa não fica contente, a gente fica sim."

Carvalho completou: "Mas ao mesmo tempo é um cenário incerto, temos que ter muita cautela", disse o ministro, para quem "o jogo (de 2014) não está posto ainda, nem sabemos quem serão os candidatos".

Carvalho mencionou a intenção do ex-governador José Serra de entrar na disputa, substituindo o senador Aécio Neves, cotado como provável candidato tucano. Além disso, o ministro apontou que ainda "não se sabe qual vai ser a ordem de prevalência" na chapa de Campos e Marina Silva. "O voto ano que vem vai depender de um lado do que nós fizermos. Mas para quem está no governo, só gera esperança quando se baseia numa obra que realizou."

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