‘Ministro Haddad' domina programas de TV

Campanha de Serra (PSDB) ataca gestão no MEC; já petista se dirige diretamente a adversário e diz que só não fez mais porque 'Prefeitura não deixou'

Isadora Peron, de O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2012 | 03h05

O desempenho do candidato do PT à Prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, durante os mais de seis anos que foi ministro da Educação dominou o horário eleitoral na TV nessa terça-feira, 16. Enquanto o programa do tucano José Serra criticou a gestão do petista, Haddad defendeu o seu legado.

Depois de destacar as falhas nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) na segunda-feira, nessa terça a campanha tucana levou para o ar a greve nas universidades federais, que durou cerca de quatro meses.

A peça mostrou que este ano, após Haddad deixar a pasta para disputar as eleições, "57 das 59 universidades federais do País entraram em greve".

A propaganda reuniu ainda depoimentos de alunos de instituições de diferentes Estados brasileiros para reforçar a ideia de "abandono" e "sucateamento" que estariam as universidades públicas federais.

"Não é por mal, mas Haddad não está preparado. Tinha orçamento bilionário, mas não deu conta do serviço. Foi o pior ministro da Educação que o Brasil já teve", diz um ator ao final da propaganda tucana.

A estratégia de questionar a capacidade administrativa do adversário foi usada tanto por Serra quanto por Haddad no 1.º turno contra o candidato do PRB, Celso Russomanno, líder da disputa até a reta final, mas que acabou ficando de fora do 2.º turno.

Resposta. Na propaganda petista, o próprio Haddad respondeu às críticas da campanha tucana.

Em tom desafiador, olhando fixo para a câmera, o candidato afirmou que Serra "distorce informações" ao dizer que, enquanto esteve no Ministério da Educação (MEC), ele não investiu em São Paulo. "Fiz, Serra, e fiz muito. E não fiz mais porque a Prefeitura não deixou", declarou.

O candidato petista ressaltou ainda que garantiu recursos para a construção de 172 creches no município e que a gestão do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado de Serra, "não foi buscar" o dinheiro.

Haddad também afirmou que aprovou verbas para uma universidade na zona leste e uma escola técnica na zona norte, mas que a administração municipal não teria cedido o terreno.

"Isso prova, Serra, como é importante não colocar interesses partidários acima dos interesses públicos e como é bom ter uma Prefeitura afinada com o governo federal, como São Paulo vai ter, a partir de 1.º de janeiro", finalizou o candidato.

Saúde. No programa exibido na TV na parte da tarde, a campanha do PT havia questionado a atuação de Serra à frente do Ministério da Saúde (1998-2002) e criticado a atual situação da saúde pública na cidade.

"José Serra se elegeu prefeito prometendo uma saúde de qualidade para São Paulo. Afinal, segundo suas próprias palavras, ele se diz o melhor ministro da Saúde do Brasil. Hoje, os paulistanos têm todos os motivos do mundo para desconfiar da competência e das promessas de Serra", afirmaram os atores da peça.

À noite, o programa de Serra respondeu a essas críticas e acusou Haddad de esconder que a situação da saúde na cidade era pior na gestão da petista Marta Suplicy (2001-2004) do que é agora. A propaganda exibiu imagens de hospitais e obras abandonadas em 2004, "época do Haddad e do PT", quando a saúde na cidade teria ido "parar na UTI".

O tucano enalteceu ainda a parceria com as Organizações Sociais (OS) em hospitais e disse que o candidato do PT é contra esse trabalho em conjunto. "Quando um petista rico fica doente, vai logo para o (hospital Albert)Einstein, para o (hospital) Santa Catarina, mas eles não querem que o Einstein ou o Santa Catarina atendam os doentes dos hospitais da Prefeitura. Essa é uma diferença muito importante entre nós", afirmou Serra. / COLABOROU DAIENE CARDOSO

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