Ministro do PMDB lidera resistência ao 'Aezão'

Moreira Franco trabalha para reverter apoio de parte da legenda a Aécio Neves no Rio

Luciana Nunes Leal / RIO, O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2014 | 02h02

Desde que parte do PMDB do Rio de Janeiro prometeu apoio ao tucano Aécio Neves, pré-candidato do PSDB à Presidência da República, na última segunda-feira, a ala governista da legenda iniciou articulações para conter a dissidência e garantir apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff no Estado.

Representante desse grupo, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, age para evitar o voto "Aezão", pregado por Aécio após o encontro com os peemedebistas fluminenses. A ideia é difundir no Estado o apoio silmultâneo ao tucano para a Presidência e ao governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) para o Palácio Guanabara.

"Estamos realmente (trabalhando para conter a dissidência), porque vivemos a história do PMDB e o PMDB não trai", afirmou Moreira Franco. O ministro tem conversado com os convencionais do Estado, considerados fundamentais na convenção nacional que decidirá a posição do partido na eleição presidencial, a fim de assegurar apoio a Dilma.

A movimentação do ministro entra em choque com a ação do presidente regional da legenda, Jorge Picciani, que lidera a ala pró-Aécio no PMDB.

"Vejo que um grupo está procurando os convencionais, tentando convencê-los a aprovar a aliança com Dilma (na convenção nacional do PMDB). É o grupo que está agarrado em cargos, o grupo fisiológico. Eu estou na outra ponta", disse Picciani. "O Moreira, que administra os belos aeroportos brasileiros, já está em campo. Mas minha decisão está tomada e nós vamos dar a vitória a Aécio Neves no Rio de Janeiro."

Fidelidade. O vice-presidente Michel Temer e o presidente da Fundação Ulysses Guimarães, deputado Eliseu Padilha (RS), também trabalham para conter a dissidência no Estado, segundo Picciani. Ele, no entanto, centra seus ataques em Moreira.

Já o ministro rebate cobrando fidelidade partidária do presidente regional do PMDB. "Ele (Picciani) está dentro de uma aliança, uma coligação aprovada em convenção nacional. Este é um momento em que o governo (federal) passa por dificuldades políticas e não é da tradição do PMDB se ausentar em momentos difíceis", disse. "O PMDB não fará no plano nacional o que o PT fez no Estado do Rio."

No início deste ano, o PT deixou a aliança com o PMDB no Rio e lançou a candidatura do senador Lindbergh Farias ao governo do Estado. Foi o estopim para a reação de Picciani e outros peemedebistas que decidiram romper com a presidente Dilma e apoiar Aécio.

Na época, o então governador Sérgio Cabral também ameaçou retirar apoio à presidente e chegou a lembrar que seus filhos são primos do tucano por parte de mãe. Mais tarde, porém, ele recuou e anunciou que pedirá votos para Dilma.

'Divisão consagrada'. Cabral, que se desincompatibilizou do cargo este mês para disputar as eleições de outubro - ele deve disputar uma cadeira no Senado ou na Câmara dos Deputados -, não tem, no entanto, agido para frear o movimento no PMDB em favor de Aécio. "A divisão já está consagrada. Cabral, Pezão e o prefeito Eduardo Paes vão ficar com Dilma. E um grupo grande está com Aécio e Pezão. Respeitamos a posição deles e eles respeitam a nossa", afirma Picciani.

Diante da divisão no PMDB, Pezão poderá abrir palanque a três candidatos ao Palácio do Planalto: Dilma, Aécio e o pastor Everaldo Dias, do PSC, partido da base do governador. "O palanque único é tese vencida", diz o presidente regional da sigla.

Capilaridade. O PSDB fez oposição a Cabral e Pezão durante sete anos, mas agora espera se beneficiar do peso do PMDB nos municípios da Baixada Fluminense e outras cidades do Grande Rio para ajudar na campanha presidencial de Aécio.

O tucano conta com os novos aliados para ganhar espaço nos grandes municípios da região metropolitana, como São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu. Nessas cidades, os candidatos do partido à Presidência da República Geraldo Alckmin (2006) e José Serra (2002 e 2010) perderam para os nomes do PT - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

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