Ministro diz que é contra a PEC e 'espanta males que afligem índios'

Em pé de guerra com os políticos, índios xavantes conseguiram que o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, participasse da dança do doente. A performance de Cardozo, que fazia gestos com as mãos no estilo discoteca e sem acertar o passo, ocorreu no final da manhã de ontem, na cerimônia do Dia do Índio, no Ministério da Justiça.

LEONENCIO NOSSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 Abril 2013 | 02h06

Os índios organizaram protestos ao longo da semana em Brasília sobretudo contra a PEC 215, que transfere ao Congresso poderes para homologar reservas indígenas. Após participar da dança com os índios, o ministro afirmou que o governo prepara mudanças nas regras de demarcação de reservas, com redução de influência da Fundação Nacional do Índio (Funai). "Estamos buscando aperfeiçoar esse entendimento com uma nova política orgânica que dê mais transparência e mais segurança jurídica nesses processos de demarcação", afirmou.

Cardozo garantiu que o governo não acabará com a Funai e se posicionará contra a PEC 215. Para as lideranças indígenas, essas mudanças, se aprovadas, reduzirão ainda mais o poder da Funai nas discussões sobre projetos de infraestrutura na Amazônia.

Na solenidade, o cacique Damião Paridzané, da etnia xavante, pediu a manutenção da Funai e uma "postura" do governo contra a bancada ruralista. "Eu respeito a presidente Dilma, mas ela tem que ter postura contra os ruralistas. Não aceito que os ruralistas aprovem o projeto que passa para o Congresso a decisão de demarcar terras indígenas", disse o cacique. "Não confio no Congresso, pois os deputados não vão na aldeia saber o que está acontecendo." O ministro disse que não aceitava a tese de alguns de que os governos Lula e Dilma nunca tiveram compromisso com a causa indígena.

Guerra e doença. Assessores do governo informaram que a dança da qual Cardozo participou era um ritual indígena dos guerreiros. O líder Arimatéia Xavante deu uma versão diferente: "Essa é a dança da cura. Quando tem uma pessoa doente na aldeia, a gente bota ela pra dançar". Cardozo, que negou estar doente, adaptou o sentido do ritual: "Estamos tratando de todos os males que afligem os povos indígenas. Pelo menos foi esse o sentido da dança que os índios disseram para mim".

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